Google+ Followers

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Mais respeito: estamos numa guerra


http://www.novojornal.jor.br/_conteudo/2013/10/opiniao/23928-mais-respeito-estamos-numa-guerra.php

domingo, 27 de outubro de 2013

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Dos outros (1)


"Os evangelhos também podem ser lidos de duas maneiras. Pelo fiel, são lidos como a estranha história de um homem, de um deus, que expia os pecados da humanidade. Um deus que se digna ao sofrimento - à morte na "amarga cruz", como diz Shakespeare. Há ainda uma terceira interpretação, que em encontrei em Langland: a ideia de que Deus queria saber tudo sobre o sofrimento humano e que não Lhe bastava sabê-lo intelectualmente, como é facultado a um deus; queria sofrer como um homem, e com as limitações de um homem. Contudo, se você for um incrédulo (muitos de nós somos), então poderá ler a história de um modo diverso. Pode pensar num homem de gênio, num homem que pensava ser deus e que no final descobriu ser somente um homem, e que deus - o seu deus - o abandonara". (Esse Ofício do Verso - O Narrar uma História. Companhia das Letras - p.54)

Não é novidade para ninguém da minha predileção por Borges. Um pouco dele, hoje, para que as coisas,  mesmo que não façam sentido algum, permaneçam seguindo seu caminho. E, por favor, um caminho que não redime, não perdoa, nem muito menos salva.

The Doors The End Live at "The Rock Scene: Like It Is" 1967 Television P...



Bom, o mundo já acabou, Morrison!

domingo, 20 de outubro de 2013

telefonema *


eu poderia ter dito que sonhei ontem à noite,
que havia uma menina de vestido azul e um pônei.
mas não é verdade.

eu poderia ter falado que vi uma estrela cadente no céu da sexta-feira. e era verdade, mas isso 
não tem importância alguma

eu poderia ter dito que o tanto de amor antigo que guardo no peito não fora o bastante para aplacar o amor novo que é agora o primeiro da fila a bater o tambor das minhas pulsações. mas isso não seria prudente.

eu poderia ter dito que quase fui atropelada por um carro quando estava na minha bicicleta mas, não sei se alguém se interessaria por um quase. 
quase é tão desnecessário quanto o calor de janeiro.

eu poderia puxar o fio de uma conversa que culminaria em grandes revelações mas, já fiz isso há poucas horas com um amigo e as palavras se desimportaram e se acomodaram, novamente, no novelo do meu silêncio.

eu poderia dizer que não tenho mais tempo.
mas temos todo tempo do mundo. ao menos é o que promete a canção.

eu poderia dizer que estou em paz, que tudo é bom e  que tudo vai ficar bem. mas, se há uma verdade nessa coisas infinitamente triviais desse poema é que, para quem ama, sobra tudo, menos a paz e o alívio que a indiferença é capaz de elaborar.

(* para complemento de uma conversa anterior com um amigo)

Kings Of Convenience - Misread



Por princípio, pelo travelling aéreo inicial;depois pelo resto...

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Aquela casa de janelas azuis



Desculpe-me o imprevisto de ter arrancado você um pouquinho da minha vida. Eu não estou rindo agora por isso. Você chegou agora há pouco assim de mansinho, sem entender nada, com ar de surpresa, sem querer me dar sermão. Você sempre foi assim né? Livre. E eu sempre te amei por isso. Porque nossos amores eram tão diferentes mas sempre tínhamos pontos de interseção. Sempre havia espaço para rirmos, chorarmos, sair por aí de carro sem destino, paquerar as pessoas mais improváveis e viver grandes amores, sempre inseparáveis. Eu não gostava quando você mentia e você não gostava quando eu insistia com as razões todas do mundo tiradas dentro do meu bolso. Você sempre foi leve demais; tínhamos que puxar o cordão de vez em quando, como se você fosse um balão de hélio, inflado e louco para atingir o espaço sideral. Eu, sapatilhas de aço; sentindo o poder e marchando em direção ao sol; eu que aprendi a ser assim por força da fome e da solidão de desde muito cedo sentir e saber das coisas com ardor, paixão e responsabilidade.

Bom, enfim, eu acho que sempre vou te amar. Eu sempre vou sentir esse carinho enorme por ti, esse respeito pela tua força e uma compaixão pela sua dor, pelas suas perdas, por quem você já foi e por quem você ainda será. E eu sei que, de alguma maneira, sempre estaremos por perto. Nos reencontrando, nos lembrando, nos chamando pelo nome e pelos apelidos; nos perseguindo, nem que sejam nos sonhos. 

E toda vez que eu passar por aquela sua casa branca de janelas azuis, na praia, eu sempre vou me lembrar que ali vivi alguns dos melhores tempos da minha vida. Quando você me emprestou sua casa, pedindo em troca somente que eu aguasse as plantas, brincasse um pouco com os cães e, principalmente, fosse feliz. Você queria que eu experimentasse um pouco dessa coisa que nos embriaga e nos tira o pé do chão. E eu tirei minhas sapatilhas e senti a areia fofa do mar me afundar em umidade e calor. O amor é úmido, fofo, quente, como o mar quebrando suas ondas; se rendendo aos caprichos do vento.

Foi um imprevisto. Eu sinto agora todo o poder da sua volta em meu peito. Não estou rindo, mas também não estou chorando. Eu sempre estarei aqui, você sempre estará aí. E, quando não houver mais ninguém, é só me chamar que eu abro as janelas azuis da sua casa branca, tiro o pó dos móveis, deixamos o vento entrar, armamos uma rede, você vai querer comer uns caranguejos e colocamos uma música e saímos para dançar. Hoje e sempre.

(para uma grande amiga)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

José Gonzales - Heartbeats




Triste... mas lindo!

Trailer "Uma passagem para Mário"



Por que essas coisas não vêm para cá? Ô saudades do mundo civilizado...

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O vento



Se eu não te visse nunca mais, acho que retiraria todas as partículas condicionantes de todas as frases que ainda vão existir na minha vida e as jogaria no mar. Esse mar que uma vez levou meu amor para longe de mim e me deixou só com o "se" e todas as suas impossibilidades contidas. Se eu não te visse nunca mais, para que lado o vento sopraria? E em qual motivo eu me abrigaria para compreender essas coisas todas que vão além de mim, de tu, de todos nós?

Eu escrevo cartas bobas em dias bobos, enquanto ouço canções de ninar que embalam meus sonhos de vento e mar. Meus sonhos que estavam, antes, sob a cortina dos dias cinzas. E agora, assim como quem sobe a montanha, eu os vejo voando num céu limpo e manso de um entardecer qualquer. Esses sonhos que me abrigam das horas caducas, das horas que antecedem os outros dias e as outras vidas que o vento sempre me traz.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

DELEUZE - A DE ANIMAL - legendado em portugues (+playlist)



Abecedário... Início. Se gostar, é só seguir com os links disponíveis. D´accord?

Beirut - O Leãozinho [Live 3-27-11]



Beirut cantando "Leãozinho".. Demais! (psiu, se ficar sem paciência, vai logo para os dois minutos)

Um dia, um olhar...



O menino de quase dois metros de altura fazia muitas caretas. Inquieto de dentro para fora. Brincava com as formas do rosto, enquanto alguns o olhavam perplexos e estranhos. Dava mesmo para se estranhar. Pelo tamanho dele, pelo fato de ser corpulento e pesado e, principalmente, por fazer caretas como se estivesse revelado alguma informação através de mímica facial. Eu pensava: ao menos a careta desse moço me distrai dessa espera infindável por esse ônibus que nunca vem; e esse calor que me sufoca e esse sol inclemente e essa fome do meio-dia dançando nas paredes do meu estômago. Esperar é um exercício que cansa até a alma. (A gente fica de alma cansada quando espera, não é?)/

Foi quando eu olhei para o senhorzinho de cabelos muito brancos e tênis esportivo. Mas eu não olhei para ele de soslaio como a gente costuma fazer com pessoas estranhas na rua (como se tivéssemos vergonha de encarar quem não é conhecido). Eu olhei bem profundamente para os olhos dele. E ele segurou o olhar.

Quis me desvencilhar daquele momento de estranheza íntima logo nos próximos dois segundos, mas ele não parecia que queria ceder. Manteve-se firme e eu não tinha outra alternativa a não ser segui-lo naquele ritual, naquele encontro, naquela dança de cílios abertos. Tive vontade de lhe perguntar muitas coisas, sobretudo se ele tinha medo, ou se sentia honra por alguma coisa ou se estava satisfeito com a vida. Ele havia me prendido no seu olhar. Eu poderia me apaixonar por aquele homem se a roda do tempo lhe retrocedesse em 30 anos, e tivéssemos nos encontrado na parada de ônibus e nos encarado daquela forma e então bateríamos um papo qualquer sobre o sol quente; ele me chamaria para sair, eu aceitaria; depois ambos contaríamos nossos segredos, dos sonhos aos pesadelos; e juntos, anos depois, veríamos que mesmo com tanto tempo passado e vivido, a corda rota, outrora fita encarnada que enlaça duas pessoas ao que os homens deram o nome de amor, não se rompera. Estava velha e gasta porém, permanente. Tão velha e tão gasta que invisível estava. Dela, na verdade, só restara aquela sensação física e táctil na pele de algo que não está mais lá, mas que continuamos sentindo sua presença (o que é, na verdade, a memória da alma).

O fato é que, nem cansada, nem resoluta, eu sabia o tempo todo como poderia me desvencilhar daquele momento tão poderoso entre mim e o senhorzinho de cabelos brancos e tênis esportivo na parada de ônibus da Praça Cívica. Sem piscar, sem retirar os olhos de minha missão de enxerga-lo eu lhe dei um sorriso de canto de boca. Ele finalmente piscou, eu retruquei. E partimos nossos olhares, cada qual em seu destino, para outras paisagens.


terça-feira, 8 de outubro de 2013

A gente sempre dava um jeito (*)



Nos dias de sol, a gente brincava de amarelinha, "tica", bola de gude, corda, cozinhado, queimada e o que mais desse na telha. Se chovia, a gente tomava banho de bica e ainda ajudava as mães a encher as jarras, de água que vinha das estrelas. Em qualquer situação, dávamos um jeito para irmos para a rua, encontrar os amigos, dar boas gargalhadas, brincar e não ver o tempo passar até a mãe da gente gritar pelo nosso nome para que viéssemos para casa. E elas tinham de gritar muitas vezes.

Só agora, nesse pouco tempo em que tento fazer uma rápida viagem pelos trilhos da minha infância, lembro-me de tanta coisa. Teve uma vez que era prova de matemática. E impressa em meu lápis havia a tabuada dos sete. Eu ía colar. Eu tinha que colar. Era impossível não sucumbir àquela facilidade. Minha professora Gilda, a mais bonita e doce professora que eu tive, percebeu e, talvez pela minha cara de cachorro que se perdeu na mudança, não me repreendeu ou castigou. Só substituiu momentaneamente meu lápis por um outro seu, preto, apagando minhas chances de não precisar contar mentalmente nos dedos quanto seria sete vezes oito. Na infância a gente pode contar nos dedos e, mesmo isso sendo um mico total até na infância, a gente não está nem aí para mico. 

Teve uma época em que meu grande sonho de consumo era ter uma daquelas bonecas bebê. Minha mãe não podia comprar uma daquelas caras que eu via na casa das primas e me comprou um boneco de plástico na feira. Eu não esperava para ter nada. Fazia minhas bonecas de pano, com cabelos compridos de pedaços de calças jeans desfiados. Fazia das caixas de fósforos móveis de brinquedo e ganhei, uma vez, uma bicicleta velha numa rifa que estava com os pneus furados e eu nunca brinquei com ela como queria. 

Se engana quem pensa que minha infância foi pobre. Minha infância foi das mais ricas em imaginação, criatividade, descobertas, brincadeiras e amizades. Quando enjoei do boneco de plástico, adotei uma melancia (eu teria enjoado também do boneco bebê da estrela). Isso mesmo. Peguei uma melancia, fiz um furo, botei uma chupeta, enrolei num pano e saí com o bebê pela pracinha.

Criar um mundo de possibilidades; não ter insônia depois das dez da noite; não saber o que danado é dor de cabeça; odiar sopa de carne e de feijão; fazer cara feia para comer alface e substituir arroz e feijão por bolo de chocolate e pipoca fazem parte da infância. Se não for assim, não tem graça. Não é tempo de felicidade. Não sou nostálgica com o tempo que passou. Tenho saudades do futuro. Mas, às portas de mais um Dia das Crianças, tive vontade de falar disso. Minha infância foi linda porque eu acreditava integralmente que a gente sempre dava um jeito de ser feliz.

publicado originalmente hoje no Novo Jornal (*)



segunda-feira, 7 de outubro de 2013

DOM LA NENA - SAMBINHA



Para a semana começar beeeem! (apesar dessa febre e dessa dor de garganta)

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Nina Simone


Nina Simone: Go To Hell por ninasimonemusic

A tatuagem



- Está tudo bem?

Ele sempre perguntava naquele tom de voz suave e quase musical, que ela gostava tanto de ouvir. E mesmo quando não estava nada bem, quando ela nem tinha a menor vontade de responder àquela pergunta tão simples e ao mesmo tempo tão íntima e profunda, ela tentava manter o mesmo tom de voz e sem suspirar nem nada, sem levantar as sobrancelhas, sem dar de ombros ou sem sequer piscar, simplesmente respondia:

- Tudo

Tinha também aqueles dois gestos dele, dessa vez sem palavras, que ela amava tanto e que ela sonhara tanto que alguém fizesse com ela, porque seria uma espécie de senha que identificaria uma conexão, uma ligação que jamais outra pessoa alcançara, que era quando, ele, por sobre seu corpo pequeno e claro, muitas vezes com uma parte ainda dentro dela, levantava o tronco e beijava-lhe o joelho. Beijava com os olhos fechados, para sentir melhor o calor e a textura daquela parte da perna que ela dizia que não gostava muito, e que às vezes tinha uns fios fininhos e pontiagudos que furavam os lábios dele. E aquele outro gesto quando, bem devagar, ele baixava a cabeça calmamente próximo ao seu ventre e beijava a tatuagem que guardava tantos segredos, além da junção de todos os sons do mundo.  E perguntava:

- O que signfica essa tatuagem?

Existia um significado universal e seria esse ao qual ela se prenderia para falar e, quem sabe, escamotear as verdadeiras razões pelas quais ela tatuou um Om na barriga. 

- Bom, acho que é um símbolo hindu, o Om que, rasteiramente, seria a junção de todos os sons do universo, logo, a síntese da criação. 

Ignácio olhou profundamente para ela e parecia que não tinha acreditado em uma única palavra. Se sentiu quase ridícula.

- Eu sei o que significa o Om. Se esqueceu? Estou perguntando o que significa para você, tatuado no seu corpo.

Mina desconversou:

- Eu nunca pensei em fazer uma tatuagem evidente. Estou pensando em fazer outra agora, depois de tantos anos que fiz essa. Sabia? Mas também será em outro lugar secreto.

Ele fechou os olhos e a boca num gesto único. Ela não falaria nada sobre aquela tatuagem, que guardava seus segredos; os sons que ela não queria revelar, porque Mina sempre achava que se os sons não guardassem o mínimo de poesia, não havia necessidade de torná-los audíveis.

Ignácio, provocou. Mesmo sabendo que era um terreno perigoso e incerto.

- Você sabe que há muita poesia na dor, não sabe? 

- Sim, assim como dor até pode rimar com cocô! 

Ela tentou brincar, tentou mudar de assunto. Queria que ele esquecesse aquela maldita tatuagem já esverdeada pelo tempo. Tentou ela mesma esquecer os significados guardados porque, muitas vezes, das lembranças dolorosas do tempo reverso da dor, muitas vezes, as lembranças se transformam em sombra, depois nuvem, depois nada. E era isso o que deveria permanecer.

- Tudo vai ficar bem, não é?

Ignácio perguntou. Ele mesmo tentando mudar de assunto. Ele mesmo querendo esquecer do varal de lembranças que se descortinava em sua mente, de tantas outras mulheres que amou, tatuadas, púberes, maduras, claras, escuras, e que jamais chegaram perto daquele silêncio que ele tanto amava em Mina. Silêncio que ocultava um universo sombrio, mas próximo; estranho, mas fraternal; escuro, mas espelho. E Mina respondeu.

- Tudo