Google+ Followers

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Dos outros (1)


"Os evangelhos também podem ser lidos de duas maneiras. Pelo fiel, são lidos como a estranha história de um homem, de um deus, que expia os pecados da humanidade. Um deus que se digna ao sofrimento - à morte na "amarga cruz", como diz Shakespeare. Há ainda uma terceira interpretação, que em encontrei em Langland: a ideia de que Deus queria saber tudo sobre o sofrimento humano e que não Lhe bastava sabê-lo intelectualmente, como é facultado a um deus; queria sofrer como um homem, e com as limitações de um homem. Contudo, se você for um incrédulo (muitos de nós somos), então poderá ler a história de um modo diverso. Pode pensar num homem de gênio, num homem que pensava ser deus e que no final descobriu ser somente um homem, e que deus - o seu deus - o abandonara". (Esse Ofício do Verso - O Narrar uma História. Companhia das Letras - p.54)

Não é novidade para ninguém da minha predileção por Borges. Um pouco dele, hoje, para que as coisas,  mesmo que não façam sentido algum, permaneçam seguindo seu caminho. E, por favor, um caminho que não redime, não perdoa, nem muito menos salva.

Um comentário:

nivaldete disse...

Borges... Também um corajoso.