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domingo, 20 de outubro de 2013

telefonema *


eu poderia ter dito que sonhei ontem à noite,
que havia uma menina de vestido azul e um pônei.
mas não é verdade.

eu poderia ter falado que vi uma estrela cadente no céu da sexta-feira. e era verdade, mas isso 
não tem importância alguma

eu poderia ter dito que o tanto de amor antigo que guardo no peito não fora o bastante para aplacar o amor novo que é agora o primeiro da fila a bater o tambor das minhas pulsações. mas isso não seria prudente.

eu poderia ter dito que quase fui atropelada por um carro quando estava na minha bicicleta mas, não sei se alguém se interessaria por um quase. 
quase é tão desnecessário quanto o calor de janeiro.

eu poderia puxar o fio de uma conversa que culminaria em grandes revelações mas, já fiz isso há poucas horas com um amigo e as palavras se desimportaram e se acomodaram, novamente, no novelo do meu silêncio.

eu poderia dizer que não tenho mais tempo.
mas temos todo tempo do mundo. ao menos é o que promete a canção.

eu poderia dizer que estou em paz, que tudo é bom e  que tudo vai ficar bem. mas, se há uma verdade nessa coisas infinitamente triviais desse poema é que, para quem ama, sobra tudo, menos a paz e o alívio que a indiferença é capaz de elaborar.

(* para complemento de uma conversa anterior com um amigo)

4 comentários:

Débora Oliveira disse...

Muito intimista. Mais uma vez me identifico, rs.
Bjos

Mme. S. disse...

Débora, melhor intimista que intimidador ne? Mas a intenção é essa mesma: que gente sensível como você se identifique. Fico igual pinto no lixo!

Angelo Augusto Paula disse...

Amar, ah, esse amar que nos rouba a paz!!!
E somos sempre tão quase, que quase somos!!!
Abraço

Mme. S. disse...

Adoro seus comentários, Angelo.