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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Amor incomoda?





Amor é capaz de despertar muitas reações nas pessoas. Mas, nunca  havia pensado se o amor realmente pudesse incomodar, até me deparar com essa pichação na parede do Museu Djalma Maranhão, na Praça Augusto Severo, na Ribeira. Vi há alguns dias. Não tive tempo de fotografar mas, hoje, em meio à correria das horas e da dança dos ponteiros que insistem em me deixar sempre uns 15 minutos para trás, em descompasso, eu parei e fiz a(s) foto(s). E me fiz também a pergunta provocativa da parede: Amor incomoda? 

Talvez, pensando rápido, sim. Incomoda quando é propalado em demasia ou quando é revestido de pieguices de novela. Mas, convenhamos, eu não estou aqui para questionar os roteiristas de televisão. O fato é que desde que vi pela primeira vez essa pergunta e sentei no ônibus a caminho de casa, fiquei a pensar se por acaso o amor alguma vez me incomodou. E a resposta foi sonora e límpida: não! (Me incomoda mais ter de usar a partícula "me" antes do verbo em início de frase).

Falando sério, me incomoda mais a falta de amor. Isso sim me deixa inquieta e, algumas vezes, infeliz. Quando eu vejo alguém ou um grupo desperdiçando uma boa oportunidade de amar - alguém ou um grupo - eu fico muito chateada. Um amigo dizia dia desses para mim que tinha acabado de sair de uma badalação cultural e que tinha sido muito legal e coisa e tal mas, no entanto, ele estava cansado e que preferia conversar com a filha, com a ex-mulher, comigo que sou sua amiga, dentre outras pessoas que lhes são caras. E eu disse para ele, porque isso é, simplesmente, amor. A gente pode passar três horas apreciando um Van Gogh no museu; pode ter uma experiência sensorial única e avassaladora ouvindo Bach ou Debussy e pode chorar diante de um poema de Leminski. Mas a arte sem amor não se completa. E o amor é simples. Não precisa de penduricalhos. Não precisa, muitas vezes, sequer de explicações ou tergiversações. O amor é pão com manteiga. O resto é perfumaria.

Amor pode ser tudo isso mas, isoladamente, não é somente sexo; não é somente desejo; não é somente certeza; não é somente alegria; não é somente epifania ou purificação. Amor, às vezes, nem é. Fica sendo. Vai se instalando devagar e longe, mesmo a gente não sabendo e mesmo a gente nem querendo.

O amor é, talvez seja, uma grande distração de todos esses conceitos que lhes impingem os homens. O amor é assentamento da alma nos territórios do corpo. Acho que é isso. Amor é um negócio tão doido que é como se, do nada percebêssemos que desde sempre, éramos capazes de sermos os mesmos só que completamente diferentes. Sacou? 

Pois é, o amor não incomoda. 

3 comentários:

nika disse...

É... (uma saudade do Millôr)... se estiver incomodando, é melhor jogar em algum canto que não incomode porque não é amor.

nika disse...

Gosto tanto destes números que aparecem em "prove que você não é um robô". Parece a numeração de uma casa, de uma casa em que nunca habitei, onde há maravilhas escondidas. Ou pode ser a casa da Vovó me esperando com doce de leite e uma cama bem fofinha. Quando eu acordar, no dia seguinte, Vovô estará à beira do rádio - aquele de luz verde que pisca e provoca medo nas crianças - ouvindo o Repórter Esso.
Aliás, agora entendo por que eu tinha medo: aquela lâmpada verde parecia um olho e eu estava intuindo a chegada do Grande Irmão.

Mme. S. disse...

Ai ai Nika. O amor, quando é você, além de não incomodar, ainda vem substantivado de vida. bjs, meu bem.