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terça-feira, 12 de novembro de 2013

Autobiografia quase não autorizada de Amelie *


Bom, há menos de dois dias eu vivia no meio do mato. Ou ao menos foi onde minha protetora me achou. Eu era só carrapichos, remelas e outras mazelas que os antibióticos já estão curando. Acham que eu tenho a cabeça - sobretudo as orelhas - e as patas desproporcionais ao resto do corpo, mas eu não estou nem aí para estética. Primeiro pensaram que eu era um menino e meu nome seria "Caê", depois ponderaram e, por enquanto, eu sou uma menina. E meu nome não poderia ser outro, senão Amelie. Eu não consigo explicar para minha protetora o que eu fazia antes de ela me resgatar ou o que diabos eu estava fazendo a caminho da estrada de Pirangi Praia; onde estaria minha mãe, meus irmãos e o que eu havia comido até então para ter aparentemente quatro semanas. Mas, o que ela não tem a menor dúvida é que eu sou muito feliz. Mesmo quando estava toda fraquinha, toda alquebrada, eu não parava de brincar. Eu olho para ela com meus olhos acinzentados e é como se eu desse um grande sorriso para ela e dissesse: "Ei, cara, a vida é legal!". É bem verdade que tem uns dois da minha espécie bem maiores que eu no lugar onde estou e eles não são nada amigáveis. Mas, por enquanto, está dando para me segurar num "barraco" improvisado e quando não estou praticando meus esportes prediletos - comer e dormir, dormir e comer - eu brinco. Esse aí embaixo de mim, é um ratinho, o Poulin. Alguém quer brincar?


Bom,  autobiografias à parte, Amelie (para tudo: parece que Amelie é um gatinho... estamos em dúvida) foi resgatada na estrada de Pirangi Praia, quando eu estava indo para a prainha com minha amiga Lu, porque simplesmente não havia outra opção. Não consigo ficar indiferente à dor, ao abandono e à inocência de um animal tão indefeso. Assim que ela me viu era como se pedisse ajuda. Tirei os milhares de carrapichos pregados no corpinho dela e já ía me despedindo quando ela fez menção de ir para a pista -  me seguindo - onde seria atropelada seguramente. Bom, o resto da história já dá para imaginar né? Há dois dias eu não teria coragem de postar foto dela. Mas, desde domingo Amelie tem dado respostas muito positivas aos cuidados que a gente desprende a ela. É dócil, não tem medo de gente, brincalhona como ela mesma confessou, come bem, toma água, faz as necessidades fisiológicas na areia e já está devidamente vermifugada, medicada com antibióticos para a conjuntivite e sem pulgas. Esse é um lar temporário porque os gatos adultos da casa não aceitam outros animais. Aqui ela está correndo outro tipo de perigo. Mas vai dar tudo certo. Amelie já é uma sobrevivente e eu tenho certeza de que tem uma família por aí que vai querer ter tanta alegria e esperança em casa.

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