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domingo, 29 de dezembro de 2013

Coisas que aprendo nos livros *


querer tudo é não querer
nada é perceber que nada
é pior que tudo e qualquer
coisa é melhor que nada
é melhor do que não querer
tudo é querer uma coisa só
pois para ser feliz é preciso
querer uma coisa só e saber
deitar ao lado dela - quieto.



Ando... na verdade, não tenho andando muito, então, acho que a expressão "ando meio parada" não tem o menor sentido, portanto vou tentar me expressar melhor: "sento" meio parada nos últimos dias. sem saber exatamente para onde meu corpo quer ir e o que a minha mente deseja. de maneira que lendo os livros dos outros - enquanto que os meus fermentam dentro de mim - estou criando essa sessão "Coisas que aprendo nos livros", uma tentativa de não deixar esse blog tão parado e tão sentado no tédio das horas. É isso. Tô sentada, mas não estou morta.


sábado, 28 de dezembro de 2013

David Lynch & Lykke Li - I'm Waiting Here



mais uma de likki li, agora com david lynch

a vida muda a gente



será que quando a gente fica triste a gente presta mais atenção nas letras das canções? 

tenho acordado e dormido com o peso das coisas sobre as costas. e não estou falando dessa gente doida que passa pela vida da gente e faz questão de deixar marcas de desamor e de falta de educação.

falo de coisas mais profundas. da vida que a gente leva e do que a gente guarda da vida. tem dias que o vazio preenche as lembranças, as horas  e até mesmo um prato de comida.

e eu que sempre acho que felicidade é um negócio que inventaram para a gente sempre querer mais, de repente, senti falta do meu próprio jeito de gostar gostando, de amar amando, de não desejar o que nunca de fato tive e de olhar pra dentro com gratidão. eu estava assim, meio perdida, meio sangrando, olhando pro nada e querendo escrever uma canção triste, como se tivesse encontrado uma solução.

e, no meio dessa confusão, eu fui percebendo que para trás e pra a frente, as coisas sempre se ajeitam. tem horas que a gente ri, tem horas que a gente chora. e isso é o que a vida tem de mais bonito: ela muda a gente para a gente ver que continua o mesmo, sendo outro. porque a gente se reinventa quando aproveita o fio da meada, os passos no meio fio, a vida por um fio. esse grande novelo que não nos deixa parar de tecer os dias e seus sóis. seus dias com as noites dentro. as noites e as estrelas lá no céu, nos espiando como se fossem os olhos de um deus, misericordioso e paciente com nossas vidas.

se eu pudesse eu faria uma canção. como eu não posso, sigo cantando a canção.

That's My Way - Edi Rock Ft. Seu Jorge (Video Oficial HD)




"A luz do dia sempre vai clarear você"....

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Na hora de apagar a velinha


Caro Aniversariante, eu penso que o Senhor deve achar se não engraçado, ao menos muito estranho, o fato de nós ocidentais comemorarmos seu aniversário numa data fictícia. Mas, já que a data correta do seu nascimento é um mistério da criação e nem o Anjo Gabriel, tampouco Baltazar, Belchior e Gaspar - as grandes testemunhas da chegada do advento salvítico - se pronunciaram até hoje, então melhor deixar como está, evitar polêmicas e continuar seguindo o calendário gregoriano. Da minha parte, já vou me antecipando e lhe desejando minhas felicitações mais que sinceras pelo dia de amanhã.

Imagino que o Senhor deva estar bastante cansado - talvez até um pouco decepcionado - com alguns acontecimentos aqui embaixo do sol, sobretudo com os seus semelhantes: essas pessoas que se amontoam nos shopping centers, que se penduram em até dez vezes no cartão na euforia de conjugar o verbo do consumo e se esquecem do IPTU de janeiro e do aumento das mensalidades escolares, e, de quebra, dão mais atenção para um cara que se veste de vermelho e carrega um saco de presente nas costas. Sendo que o é pior de tudo é que nenhum desses presentes é para o Senhor. Deve também se perguntar por que há tanta fartura de comida em algumas mesas, inclusive com direito a muito desperdício no dia seguinte, enquanto que na grande maioria das mesas do mundo o que abunda é a falta do pão, do vinho e do espírito santo. Sem querer entrar de novo em polêmicas, desperdício é um negócio super over, minha gente, fora de moda total. Menos é mais.

De maneira que eu, humildemente, quero Lhe fazer um pedido. Se aí onde o Senhor estiver, existir a hora do “parabéns pra você” e o Senhor for apagar a velinha, apaga não! Deixa a velinha acesa. Aproveita a presença dos seus convidados ilustres, os Avatares de outras religiões e crenças que, certamente, prestigiam seu evento, e faz uma oração para o pessoal aqui da terra. Rogai por nós consumidores, egocêntricos, mentirosos, paranoicos, egoístas, vaidosos, injustos, fúteis e mal educados. A gente está precisando.  

E, se já não estiver abusando na minha súplica, quando chegar a hora do Senhor fazer o pedido, de novo eu insisto, pede por nós! Pede mais paciência, tolerância, amizade, mais respeito, mais solidariedade, generosidade, perdão e afeto; essas coisas que circundam o verdadeiro amor. E só para lembrar, não estou falando do amor distorcido das novelas, que estão ficando cada vez piores. Pede mais consciência e menos euforia. Pede pelos velhos, pelos intermediários no meio do caminho e pelos que ainda nem chegaram. Pede também pelos outros seres vivos, sempre tão subjugados a nós humanos. Pede, Senhor, porque sozinhos aqui, a gente não dá conta.



Texto publicado hoje no Novo Jornal.
E, aproveitando, brincadeiras a parte, desejo um bom Natal para quem acredita. E uma noite suave para pessoas como eu, que só quer mesmo é compreender essas coisas do mundo e dos sonhos.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Rekorder: Zaz mit "Je veux"



amo gente que pira, que vibra, que é feliz com o que faz. amo música. música. música!

Triggerfinger I Follow Rivers (Lykke Li cover)

Assumir o leme


Já plantei algumas árvores por ai e outra sorte de flores, avencas, crótons, capim santo; acabei de lançar meu primeiro livro; agora, assobio com as mãos nos bolsos, apreensiva, imaginando quando viverei novamente a árdua e comovente tarefa de escrever o próximo - e amo como se fossem meus os filhos dos outros, dos amigos.

Sou uma pessoa completa? Realizada? Estou longe disso. Nem sei se existe uma fórmula exata que leve à plena satisfação da existência. Muitas vezes, acho que a ideia de felicidade e realização que nos impõe o mundo, tal qual se apresenta no momento, é uma espécie de traça que corrói e gera crateras entre o real e a vida possível. Viver é mais importante que ser feliz.

Falando em amigos e em seus filhos, dia desses, minha amiga Luana me surpreendeu com um pequeno vídeo, acho que eram 38 segundos em que estou eu e seu pequeno Theo, descobrindo qual a lógica contida numa tarefinha matemática para crianças. Nunca imaginei que fosse capaz de fazer qualquer tarefa que envolvesse lógica. Sou errada de contas; acerto muito mais no escuro da intuição. Colava na tabuada dos sete. Mas ali junto a Theo, o mundo era possível. Inclusive ser feliz. Quando ela me mandou o vídeo eu, que não lembrava que ela estava nos filmando, vi com toda clareza que a felicidade pode estar contida numa brecha ou numa réstia de sol, no balançar das asas de um beija-flor e seu encontro amoroso com a flor amarela e está, principalmente, contida na distração, na grandiosidade de pequenos gestos. No dela, por exemplo, de gravar um momento tão único e singelo, guardar e me enviar dias depois e que fora capaz de me tocar tanto. Eu ali me revendo como uma expectadora e sentindo tanta emoção por, simplesmente, estar tão distraída, sem perceber o quanto podia ser fácil ser feliz ao descobrir uma pequena tarefinha de lógica com meu amigo Theo. (Mais fácil que a própria lógica).

Às vezes acho que ser feliz é não fazer ideia do que é essa tal felicidade. É entender que o cobertor só faz sentido quando o frio existe; é dar uma pausa no querer tanto. Despir-se de tantos desejos e ser mais necessidade. É não ter medo do silêncio e sentir o momento certo para tirar os sons presos na garganta. É ficar aliviado não com o reencontro, mas sim com a descoberta de que não é preciso mais esperar. É enxergar o caule antes de chegar nas finas e delicadas pétalas. É acender a luz do candeeiro e passear com o indicador dentro da chama azul e descobrir que brincar com fogo pode ser divertido. É assumir o leme, inclusive e principalmente do acaso. Se deixar levar antes que a vida passe.

 

 Crônica publicada hoje, originalmente, no Novo Jornal.

sábado, 14 de dezembro de 2013

É HOJE! Lançamento do meu livro


Navarro: Um anjo feito sereno
Dia: 14 de dezembro
Hora: 19h
Local: Nalva Melo Café Salão
Preço: R$ 30.


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Navarro: Um anjo feito sereno - lançamento


Impossível falar de Newton Navarro sem a presença de inúmeros adjetivos nos depoimentos dos que o conheceram. Adjetivos sempre acompanhados de muitas histórias. Algumas engraçadas, outras com uma atmosfera trágica, sofrida, controversa, como devem ser as histórias que tratam de uma pessoa incomum, de um artista irrequieto e com mananciais de ideias brotando em cada gesto.


Considerado por muitos um “gênio” e, com o perdão do trocadilho filmesco, também um “indomável”, Newton Navarro não passava despercebido. A menos que quisesse. Embora a circunspeção e o comedimento fizessem parte de seu comportamento enquanto sóbrio, por outro lado, quando acompanhado do torpor das bebidas quentes, ele era um furacão, que espalhava erudição, generosidade, conhecimento e, muitas vezes, outras impressões aos seus interlocutores como, surpresa, encantamentos e também mágoas, muito embora passageiras.

Essa é um pequeno trecho que inicia o terceiro capítulo do livro Navarro - Um anjo feito sereno, ensaio biográfico, que será lançado no próximo sábado, 14 de dezembro, em Nalva Melo Café Salão, às 19h, durante e Virada Cultural. 

Ufa! Até que enfim! Meda! São algumas interjeições internas que divido com meus poucos e queridos leitores desse blog tímido e intimista. Aquela música do Cidade Negra que diz "você não sabe o quanto eu caminhei, pra chegar até aqui", se encaixa perfeitamente na trajetória do trabalho de pesquisa e escrita, consumado depois de muita coleta de dados, entrevistas, viagens, leituras e releituras, buscas, sonhos, desejos, reflexões, desespero, choro e vela (risos). Não fosse o precioso apoio, idealização, paciência, edição, amizade, ouvido de aluguel do meu querido José, do estímulo dos meus parceiros de projeto, os jornalistas Alexis Peixoto, Luana Ferreira e Rafael Duarte - que também agora são biógrafos de outros grandes nomes da nossa história cultural, e de outros colabores como Kalline Sampaio e José Carlos, da sensibilidade dos conselheiros da Lei Djalma Maranhão que aprovaram o projeto em sua primeira edição, que contou com o patrocínio do Colégio CEI, cuja distribuição foi totalmente gratuita para as bibliotecas públicas e, agora, com a parceria com a Editora da UFRN, finalmente, euzinha ponho o "filho" na rua, em sua segunda edição. 

Digo sem pudores que essa não é uma obra definitiva sobre Navarro. Considero-a, como disse meu amigo Augusto Lula, uma "obra seminal". Quero dar um peteleco no juízo desse povo do RN, sobre a importância de mantermos viva a memória de Newton Navarro. Um homem que amou tanto Natal, que ultrapassou tantas vezes suas fronteiras físicas e intelectuais e, no entanto, sempre foi, como eu um eterno provinciano, uma pessoa que nunca deixou de se enternecer com o por do sol do Potengi, que tinha na cadela Aparecida uma musa e nos amigos, grandes admiradores.

 Digo, com muitos pudores, espero que gostem.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Lykke Li - I Follow Rivers (Live)



Porque descobri que é a música preferida da minha "bebê gente" Antônia.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Sorriso da manhã



Quantos anos, histórias de vida e sentimentos cabem num olhar? Se prestarmos atenção, há muitos espaços preenchidos dentro do silêncio desse gesto. Acho que todo mundo se permite vivenciar o calor de um olhar e vislumbrar tudo o que ele tem para dizer, sem que para isso seja necessária a emissão de um único som, a não ser aquele que provém do inefável. A gente só está pronto para ouvir as palavras que vêm dos outros, depois que não tememos mais o silêncio dos cílios. E sentimos que é possível olhar bem de perto e ir além de Narciso. Sei que me aproximo da medida do amor quando, quieta e atenta, encaro a íris da pessoa amada e não tenho mais medo de ser eu mesma. É quando sinto um misto de paz, alívio, compreensão, admiração e carinho pelo que vejo e que está além de mim. Já vi e vivi muitas coisas. Mas, essas mesmas coisas estão constantemente dando lugar a outras que nem sempre eu sei o nome ou sinto necessidade de ter domínio. E a isso eu chamaria de esperança. Mas você pode dar o nome que quiser.

Quando conheci a pequena Antonia, ela chegou meio tímida e com a mudez inerente às crianças sensíveis e inteligentes num primeiro momento com adultos estranhos. Estudou e avaliou minhas intenções o quanto quis. E eu deixei, porque tinha esperanças de que em algum momento ela me devolveria com aquele olhar inédito. Aquele olhar infantil por sobre as coisas importantes do mundo como o voo da borboleta no jardim, o desenho da TV, o balanço do parquinho ou o pulo do "bebê gatinho". E, finalmente, aconteceu. Estávamos sozinhas conversando qualquer coisa, fizemos uma pequena pausa e nos olhamos com aquele olhar primitivo e livre dos dicionários e das gramáticas. Que continha só o léxico da cumplicidade. E a manhã se abriu num sorriso.

Outro dia, enquanto olhava as fotografias do aniversario da minha mãe, observei mais atenta a uma das fotos em que saíram meu tio Veríssimo e minha tia Leda. Havia ali um olhar dele sobre ela no qual cabiam seus 39 anos de casados; cabiam os três filhos, as noras e os dois netos; cabiam as febres, as  cataporas e os deveres de casa dos meninos ainda pequenos; as prestações do carro, a casa dos primeiros anos no Alecrim, a de Nova Descoberta que reserva o maior número de páginas em suas histórias até então e a casa de agora; cabiam o almoço de domingo e o banho de piscina na Apurn; o mestrado em Minas; todos os outros parentes agregados ao longo desses anos; cabiam a saúde e a doença; a tristeza e a alegria; o passado e o presente de mãos dadas com um laço indissolúvel que fazem do olhar dele a extensão do dela e vice-versa. E quando eu vi aquele olhar, me encostei de novo no sorriso da manhã e senti uma esperança urgente nessa coisa a que não temos total domínio e a que chamamos de amor, e que é sempre capaz de subverter até mesmo um momento ruim, um triste crepúsculo.


Publicado originalmente hoje no Novo Jornal.