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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Na hora de apagar a velinha


Caro Aniversariante, eu penso que o Senhor deve achar se não engraçado, ao menos muito estranho, o fato de nós ocidentais comemorarmos seu aniversário numa data fictícia. Mas, já que a data correta do seu nascimento é um mistério da criação e nem o Anjo Gabriel, tampouco Baltazar, Belchior e Gaspar - as grandes testemunhas da chegada do advento salvítico - se pronunciaram até hoje, então melhor deixar como está, evitar polêmicas e continuar seguindo o calendário gregoriano. Da minha parte, já vou me antecipando e lhe desejando minhas felicitações mais que sinceras pelo dia de amanhã.

Imagino que o Senhor deva estar bastante cansado - talvez até um pouco decepcionado - com alguns acontecimentos aqui embaixo do sol, sobretudo com os seus semelhantes: essas pessoas que se amontoam nos shopping centers, que se penduram em até dez vezes no cartão na euforia de conjugar o verbo do consumo e se esquecem do IPTU de janeiro e do aumento das mensalidades escolares, e, de quebra, dão mais atenção para um cara que se veste de vermelho e carrega um saco de presente nas costas. Sendo que o é pior de tudo é que nenhum desses presentes é para o Senhor. Deve também se perguntar por que há tanta fartura de comida em algumas mesas, inclusive com direito a muito desperdício no dia seguinte, enquanto que na grande maioria das mesas do mundo o que abunda é a falta do pão, do vinho e do espírito santo. Sem querer entrar de novo em polêmicas, desperdício é um negócio super over, minha gente, fora de moda total. Menos é mais.

De maneira que eu, humildemente, quero Lhe fazer um pedido. Se aí onde o Senhor estiver, existir a hora do “parabéns pra você” e o Senhor for apagar a velinha, apaga não! Deixa a velinha acesa. Aproveita a presença dos seus convidados ilustres, os Avatares de outras religiões e crenças que, certamente, prestigiam seu evento, e faz uma oração para o pessoal aqui da terra. Rogai por nós consumidores, egocêntricos, mentirosos, paranoicos, egoístas, vaidosos, injustos, fúteis e mal educados. A gente está precisando.  

E, se já não estiver abusando na minha súplica, quando chegar a hora do Senhor fazer o pedido, de novo eu insisto, pede por nós! Pede mais paciência, tolerância, amizade, mais respeito, mais solidariedade, generosidade, perdão e afeto; essas coisas que circundam o verdadeiro amor. E só para lembrar, não estou falando do amor distorcido das novelas, que estão ficando cada vez piores. Pede mais consciência e menos euforia. Pede pelos velhos, pelos intermediários no meio do caminho e pelos que ainda nem chegaram. Pede também pelos outros seres vivos, sempre tão subjugados a nós humanos. Pede, Senhor, porque sozinhos aqui, a gente não dá conta.



Texto publicado hoje no Novo Jornal.
E, aproveitando, brincadeiras a parte, desejo um bom Natal para quem acredita. E uma noite suave para pessoas como eu, que só quer mesmo é compreender essas coisas do mundo e dos sonhos.

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