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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Coisas que eu vejo




Um coro de vozes ecoa dentro das minhas horas. Disputa com os carros, a poeira, o calor e o desejo de estar longe um lugar para acomodar o som que conforta e perturba. Quase sou capaz de pedir a um estranho para me tocar. Só para verificar se ele compreenderia essas coisas que passeiam pelos meus póros, essas antenas da minha alma, e se ele teria o mesmo arrepio que me enche os porões de uma espécie de dor e de esperança nesse mundo que não pertence a ninguém.

Eu vejo pessoas andando, suando, fazendo perguntas, sorrindo, pagando as passagens, cortando os galhos das árvores, fazendo compras no supermercado, preparando couve e feijão. Eu vejo coisas que não estão por aí, como quando a moça promete à mãe que elas ainda plantarão pinheiros e a mãe sonha com os netos que ainda não chegaram. Eu vejo o rapaz andando de bicicleta, roubando um beijo da moça na outra bicicleta. Ela fecha os olhos e quase cai. Ele abre os braços e brinca de Titanic. Eu vejo coisas que não estão por aí. 

Pequenas anotações de uma nova segunda-feira, ao som de Gulag Orchestra, do Beirute.

2 comentários:

Eliade Pimentel disse...

Ver com teus olhos. Comodidade. Poesia urbana.

Ítalo de Melo Ramalho disse...

Cara Jornalista, já que falastes neste esplendoroso grupo musical, conheces esta versão?

http://www.youtube.com/watch?v=FvotAVMFKEY

Cordialmente,

Ítalo de Melo Ramalho.