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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Depois não



E eu não saio de casa mas saio de mim. Porque estou sempre com uma sensação de extra-corpo (não, isso não é uma pergunta... é uma resposta que prescinde de pergunta), uma sensação de que estou muito longe de mim. Longe do que fui. Longe do que quis. Longe dos que foram. Nada salva. Mas ainda sinto os pés pisando no chão. E é frio, arenoso, ou escorregadio. Mas ainda é chão. 

Não tenho medo dos carros andando em filas inconstantes. Não tenho medo da iminência do assalto, tampouco do estranho que me para na rua e me pede um cigarro. Não tenho medo e isso é assustador. Já não sei mais onde nasceu o começo e até quando isso vai. E isso é assustador. Vi dois filmes sobre amor. Desses vividos e guardados dentro da gente e, se você tiver sorte, várias e várias vezes. Desse tipo de amor (e de filmes) que não têm nada a ver com as comédias românticas do mainstream. Eu não acredito no amor como palavra. Eu acredito no amor como um emaranhado de coisas que são tão complexas e diáfanas que o amor não é para ser compreendido em sílabas. Não é palpável. A gente não sabe quando começa nem até onde vai chegar. Só sei que tem horas que faz todo sentido do mundo, depois não.

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