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domingo, 11 de maio de 2014

Se não, não é...



Eu te chamei para o quarto. Mas você preferiu a sala. Você sempre dizia que não queria saber, então eu ouvia e ouvia e ouvia. E gostava. Até você reclamar que não sabia de nada. Daí eu falei alguma coisa, daquelas bem íntimas que ficam guardadas dentro do passado, mas que terão rastros até no mais distante futuro. E você mudou seus olhos se calou.

Você reclamou que eu não gozava. Aí eu me soltei e me abri para você como um guarda-sol e você se protegeu dentro dos meus tremores. Meu sexo em flor. Depois, você dormia em silêncio e abraçado, enquanto suas mãos conversavam com o tato das minhas coxas. Às vezes eu queria falar sobre os meus sonhos, mas você queria fazer café preto e arrumar os lençóis.

Eu escrevi cartas que você nunca leu. E ouvi canções que eu acho que você teria gostado de ouvir, mas você não tem muito tempo para outras opiniões e outros sons. Então, eu ouvia sozinha e por nós dois. Eu esperei o dia em que terminaríamos aquele conto juntos. Esperei o dia em que ouviríamos o som das ondas quebrando no mar e a lua cheia testemunhando aquela noite inesquecível que inventaríamos para tornar o mundo mais bonito, mais viável, mais inteiro, com mais poesia e, quem sabe, com mais amor. Mas você desmarcou com o silêncio e o descuido de quem não quer compromisso com agendas, a não ser a do trabalho. Seu porto e sua fuga.

Eu pensava pontos, você não saia das vírgulas. Conversávamos longamente antes e depois dos beijos e debochamos da proximidade como quem não tem noção dos males da distância. Comemos, bebemos, fumamos, e não dançamos tanto quanto eu queria. Não brigamos tanto quanto eu compreenderia seus nãos (e também os sins). Não chorei rios. Mas também não me larguei em gargalhadas.

Eu só quero dizer que não mudaria nada. Só acrescentaria algumas, outras, coisas que tornariam esse estado de lembranças em algo muito mais descalço e vívido. Porque para amar é preciso tirar os sapatos, tomar banho de chuva, fazer da quarta-feira um feriado, se inquietar com as distâncias. Se não, não é amor.

Um comentário:

abueliatapeligrosa.blogspot.com disse...

FIQUEI NOSTÁLGICA QUANDO LI.E QUEM NÃO TEM UM AMOR ASSIM? ALGUNS VIRARAM POEIRA NO TEMPO, OUTROS FORAM SEM NUNCA TER SIDO...