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terça-feira, 10 de junho de 2014

Falta de Assunto

Cena do filme Praia do Futuro.

Não tinha a menor ideia do que escrever ao me sentar para fazer esse texto. A verdade é que ainda me sinto assim, agora, enquanto digito. Parece estranho? Nada. É um clássico. O papel em branco: o terror dos escritores. Alguns defendem que é a falta de ideias. Eu acho que tem a ver com um monte de ideias que surgem e, se fossem contabilizadas em passos, não dobrariam a primeira esquina. Ideias podem até vir em saltos, mas precisam de uma boa caminhada para que se sustentem no papel. 

Aí em algum lugar eu li sobre detox. Eu não sabia o que era detox até então. E descobri que é uma espécie de dieta que procura desintoxicar o corpo por conta dos excessos que cometemos no dia a dia. Comidas industrializadas, embutidos, frutas e legumes com aditivos químicos, álcool, cigarros, et cétera. Eu acho que precisamos nos desintoxicar também, de vez em quando, dos excessos que praticamos não só no corpo, mas também na mente (e na alma). Essa coisa que não tem sombra, mas que nos inquieta e nos diferencia dos crótons e avencas. Será que não estamos nos envenenando com tanta tecnologia? Será que não é celular demais? Exposição demais? Notícias demais? Às vezes penso que sim e, óbvio, me ponho no centro da discussão. Estou viciada em checar e-mail, whatsapp e FB no iPhone (há seis meses achava que jamais precisaria de um iPhone) e já pensei duas vezes se não deveria fazer um twitter. Definitivamente, estou intoxicada.

Bom, em meio à profusão de ideias de pouco fôlego, me lembrei da - incompreensível - polêmica no Brasil sobre o novo filme do Karim Aïnouz, “Praia do Futuro”, estrelado pelo brilhante ator Wagner Moura e o alemão, Clemens Schick. Eu ainda não assisti, mas sei que é por causa de umas cenas de sexo entre os dois protagonistas. Talvez, o meu vizinho que foi assistir e saiu puto, tenha pensado: “Pera lá camarada, o ‘Capitão Nascimento’, o machão e espécie de herói nacional, interpretado por Wagner Moura, nos filmes Tropa de Elite 1 e 2, dirigido por José Padilha, não pode aparecer se esfregando com um homem em outro filme”. E eu que admiro o trabalho de Moura faz tempo, acho isso tudo tão atrasado, tão sem propósito, que não entendo realmente essa polêmica. E parto para o próximo e último parágrafo.

O preconceito é um dos grandes venenos que intoxicam a vida da gente. O preconceito está intimamente ligado à ignorância. Não falo da ignorância do não saber. Falo da ignorância que não quer compreender e respeitar o outro só porque ele é diferente. Ou por outras razões: porque é pobre; gordo; burro; preto; mulher; viado et cétera.. E preconceito, meus queridos, em alguns casos, é o salto para a intolerância e a violência. Venenos que intoxicam muito mais nossas vidas, que o tomate do supermercado.

Publicado hoje no Novo Jornal.


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