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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Tempo presente





eu acho que às vezes o chão sente vontade de abraçar o céu, então faz poeira. tem horas que sou chão, tem horas que sou céu. no meio disso um dia, uma noite, trilhões de respiradas que eu nem me lembro que dei. não posso vê-lo (o ar) mas sei que está aqui, ali, acolá. está sobretudo dentro. acho que a coisa mais parecida com o ar que eu conheço é o amor.

dormi muito pouco hoje. acho que faço isso porque tenho certa pressa de viver. no meio das horas apertadas de sono, visitei meus pensamentos mais livres. nunca me lembro muito bem e receio começar a contar coisas que não sei se são lembranças ou se são inventadas na hora que a fala salta da boca. minha tia quer me arrumar um namorado que gosta de gatos. e eu acho graça. então, eu penso que sonhei com alguns gatos. quando a gente cresce tem gente que acha ridículo sonhar acordado. eu acho tão bonito. se eu pudesse, gastaria mais meu tempo a sonhar com um mundo melhor, mais doce e mais abraçado. eu acho que sonhar faz eco nas paredes de dentro. e se há algo lá dentro não é necessário buscar fora, não acham?

eu poderia fazer um relatório enfadonho sobre a vida cotidiana e o meu dia. mas, a verdade é que eu me soltei nos vazios e nos silêncios que alguns segundos me deram de presente. e foi tão bom poder ficar atenta ao que passa despercebido aos olhos. eu íntima de mim mesma. e sem vontade alguma de reclamar do que fosse: do motorista mal educado? do pingo d´água que caiu das folhas da árvore exatamente entre as lentes e meu 12º cílio esquerdo? da tentativa daquele telefonema que não deu certo para Manaus? tsc. que nada. hoje eu escolhi ser ridícula, sonhadora e de quebra ainda sorri para estranhos na rua. cheia de atrasos para o futuro, atenta somente ao presente.



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