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quarta-feira, 23 de julho de 2014

poema sem título



nem mais os cigarros têm o fogo que antes me aquecia
nunca fui de guardar lenços em caixas, 
o dorso da mão cumpre o papel de enxugar
o refugo dos dias sem ti
esse silêncio que dorme na garganta todas as vezes em que tento
falar teu nome
e não há ninguém para ouvir

talvez você seja só uma sombra,
no melhor das hipóteses, um rastro de sol depois de dias de chuva
talvez, para não me esquecer, eu sonhe contigo
ou com um amigo que se parece contigo
ou com o planeta do Pequeno Príncipe e seus precipícios
talvez

***



2 comentários:

Ivanês Lopes disse...

Você escolheu uma bela pintura que serviu de capa para um livro de português no qual estudei há algumas décadas atrás. Pela simplicidade e beleza do imaginário, acredito, ela permanece viva na minha memória. As vezes a minha memória fotográfica me incomoda, ela se assemelha a memória de um elefante.

Ivanês Lopes disse...

Muito belo!

E eu fique pensando: Existiria um endereço específico para esse poema chegar?
Feliz quem o inspirou!
Solitário e belo poema.