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terça-feira, 8 de julho de 2014

sobre insônia


Não tenho sono. Isso é fato. Um pensamento tonitruante ocupa o espaço dos outros nessa fase do dia/noite. Se estou cansada, se passei o dia inteiro andando de um lado para o outro, entrevistas, conversas, pausa para o almoço, conversa com a amiga, entrevista de novo, café no shopping, chocolates no supermercado, amêndoas, mais trabalho, pausas para o cigarro, conversa com os vizinhos e mais trabalho, então porque não tenho sono? A pressa de viver às vezes cansa. É fato.

Não consigo e nem quero fugir da minha própria  natureza. Corro, penso, ando, como, sonho, pergunto, observo, brinco, espero, amo. Todos os meus verbos se conjugam em escrever. Escrever no cotidiano mais prosaico, escrever cartas, escrever e-mails, escrever pautas, editar textos, escrever matérias, inscrever sonhos. Escrevo linhas tortas sob a expectativa da cura em linhas brancas. Escrevo até no vazio das páginas, frases invisíveis, notas fantasmas sobre coisas que não sei o nome.

Continuo sem sono.

A insônia é lilás. As pálpebras fechadas, essa cortina que tenta fechar a noite e seus botões de estrelas, são meio vermelhas, meio amarelas. Quando sonho, é sempre um filme noir.  

Acho que vou ler um pouco. Esse exercício magnífico de reverenciar a escrita. 


Um comentário:

Anônimo disse...

Cara jornalista, já que gostas de música, veja esse vídeo dessa banda de Denver-EEUU chamada DeVotchka. Se conheceres, releve a indicação.

Obs.: Essa banda faz parte da trilha sonora do novela "Meu pedacinho de chão" (Globo), dirigida pelo excelente Luiz Fernando Carvalho, mesmo de Levoura Arcaica.

Ítalo de Melo Ramalho.

http://www.youtube.com/watch?v=YAY2st8-DSg