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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Fragmentos do devir




Uma desobediência toma conta de mim. O corpo está inquieto, tem ruídos, ondas, pancadas. Vivo intensamente dores e meus dedos quase não querem obedecer à dança dos teclados. Tenho tantas letras represadas. Em contraponto, a alma está em flor. Poderia estar em festa mas, passam das 10 e é melhor cultuar o silêncio. Cultivo um jardim de sonhos dentro. Assusto-me um pouco com a capacidade de nascer de novo, todos os dias. (Re)aprender a falar. (Re)aprender a andar. Cair, se for preciso, para descobrir onde dói. Ontem dancei no meio da rua. Uma dança lenta, macia e cheia de calor. Meus braços, pernas, abdômen, barriga, joelhos, ombros, meu peito e meu coração num só compasso. No compasso do outro corpo dentro do meu passo. Uma desobediência tomou conta de mim. Contrariou as estatísticas. Levou embora algumas certezas falidas. Bagunçou minhas frases. Invadiu minha boca com a língua, entrou em mim pela porta da febre e da saliva.




Um comentário:

Anônimo disse...

NOSSA! É por demais salutar desobedecer quando homenageamos, em dança, o (re)nascimento de um alvissareiro compasso.

Parabéns! Mui bom esse fragmento.

Ítalo de Melo Ramalho.