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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Uma parceria que virou livro

Foto: Alex Regis/Tribuna do Norte


Não sei precisar bem como começou a conversa. Mas, inicialmente ele pensava que poderíamos, cada um, pegar dois nomes para serem biografados. Coisa de empolgação do "início de namoro". Nesse caso, do projeto Biografias 2011, pensado, proposto e aprovado em Lei, pela competência e persistência do meu amigo, José Correia (meu sempre mucuinho ou maruinho) porque intimidade com amor, carinho e respeito não se perde, só, se fortalece e se ressignfica com o tempo, mesmo que já não sejamos mais os mesmos de outrora.

Durante o processo de feitura do meu livro sobre o grande Newton Navarro (escritor, artista plástico, poeta, dramaturgo, bebum, atrabiliário, doce, edipiano, inesquecível, nome de ponte) não havia uma única entrevista, um único achado nas pesquisas nos jornais velhos da cidade, na viagem que fiz a Fortaleza, que eu não ligasse para ele para contar com entusiasmo ou decepção como tinha sido. Quando o prazo de entrega do texto começou a se aproximar e a tirar meu sono, ora delicadamente ora com os aperreios escapando pelas orelhas, eu dizia para ele: vou atrasar! Segura a tua onda! E ele ficava calado ou falava alguma coisa incentivadora, no seu modo baixo e 76 rotações de falar. Sempre calmo. Mesmo que esteja implodindo por dentro e aí, nesses casos, ele faz um leve bico de contrariedade. Detesta admitir que "é" e não mais "está ficando" e não vou nem pronunciar o adjetivo, mas, acho que a pista de voo pra mosquito acima da sua testa aumentou bastante durante o processo de feitura dos quatro livros. Todo mundo deu trabalho. Todo mundo, em certa hora, encheu o saco do cara. Todo mundo merecia que ele atrasasse o pagamento quando da entrega do livro, diga-se todos com prazo estourado. Alguns, inclusive, estouradíssimos. Mas ele não o fez. 

Depois da entrega, do e-mail que ele esperava há 45 dias e que não chegava, vieram outros tramites. Porque escrever livro não é só fazer texto. Tem escolha de capa, título, etc. Eu disse para ele, quero da cor de um sol (laranja terroso) que Newton usava muito em seus quadros. José me manda uma prova com um verde abacate e depois com uma cor de burro quando foge. Ligo para ele com a moléstia dos cachorros "qual a parte que você não entendeu que eu quero aquele sol terroso que o Newton fazia heim?". "Qué qué isso, Mucuinha. Ei, tenha calma" (falando grosso). Fiquei calma, porque gente calma quando fica braba, é melhor gente braba ficar calma, para não atiçar né? No mesmo dia ele mandava a cor que virou capa e que nunca mais virou motivo de discórdia entre nós dois. 

Ele é tão abestado que sequer recebeu alguma coisa do montante aprovado e captado através da renúncia fiscal da Prefeitura, para o Colégio CEI, que destinou a grana para o projeto e pagou a todos nós uma grana boa, em se tratando de mercado editorial potiguar, nunca antes vista por essas terras. O que prova que além de diletante ele é apaixonado pelo que faz. Ele é generoso. Ele quer ver o(s) livro(s) pronto(s). E isso lhe basta. Sentir o cheiro da tinta, folhear as páginas que ele, m.e.t.i.c.u.l.o.s.a.m.e.n.t.e., lê, relê, juntamente com o brilhante trabalho de Kaline e Zeca (revisora e diagramador), parceiros dessa empreitada. Sabe um leitor que vira escritor? José é um grande leitor que virou editor, que encontrou seu caminho de reverência aos livros, ajudando a botar livros no mundo.

Maruinho ou Mucuinho (tanto faz), ter feito parte daquela conversa sobre os livros na quinta passada, no Flin, me encheu de orgulho. As palavras fluíram tão facilmente. Bem diferente de quando eu escrevia o livro e travava na página 30, na 53 ou na 87, e ligava para ti, achando que não ía conseguir, que não era escritora porra nenhuma, que nem jornalista eu estava conseguindo ser e você, na sua calma e tranquilidade, sempre dava um jeito de me fazer acreditar em mim.

Pôxa, cara! Correndo todos os riscos de virar um grande lugar comum esse finalzinho, eu queria dizer o quanto sou agradecida por você ter acreditado em mim, viu? Não à toa, o livro - que tu fez cara de cuscuz como se nada fosse - é dedicado a tu, pedro bó!

te amo, sua sempre amiga, 

S.




2 comentários:

Potiguarando disse...

Juro, mas eu juro de pés juntos, que enviei um comentário, mas pelo visto nem água. Só de ruim mando de novo...

Obrigado pelas palavras generosas, pela amizade, pelas ajudas naquelas horas mais difíceis que passei. Essas biografias foram gratificantes em todos os sentidos e hoje as considero como um dos melhores projetos que realizei.

E mais: sempre acreditei em você, mesmo quando você era uma crônica semanal e eu apenas um fiel leitor. Beijo desse amigo acuzcuizado.

Potiguarando disse...

Juro, mas eu juro de pés juntos, que enviei um comentário, mas pelo visto nem água. Só de ruim mando de novo...

Obrigado pelas palavras generosas, pela amizade, pelas ajudas naquelas horas mais difíceis que passei. Essas biografias foram gratificantes em todos os sentidos e hoje as considero como um dos melhores projetos que realizei.

E mais: sempre acreditei em você, mesmo quando você era uma crônica semanal e eu apenas um fiel leitor. Beijo desse amigo acuzcuizado.