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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

ventos doces



já é janeiro. olho para fora da janela e o tempo me diz que nada mudou vertiginosamente debaixo do sol só porque virou o ano. mas todos se empolgam e fazem promessas, estabelecem metas, fazem figa, pulam ondas, desejam, esperam, pedem. eu fico meio calada, meio murmurante. é janeiro e, no entanto, algo de mim ainda está em dezembro, outro algo pula para abril, desce até junho, fixa-se em agosto, como um mês de ventos doces,

já é janeiro e eu tenho medo de escrever alguma coisa que vá macular toda essa minha necessidade de silêncio. talvez seja uma absoluta má vontade ou desgosto mesmo com as palavras. essas presas, essas putas, essas deusas que me arrastam por rios de indecisões, satisfações e insatisfações, gozos e memórias. eu chupo as palavras pra dentro. eu sorvo e aceito a incompetência de nada dizer. eu peço desculpas. eu me lamento.

já é janeiro e eu devo muito aos pequenos pedaços de vento úmido que entram pela janela.

por não trazerem nenhum alento. por não trazerem qualquer redenção e 
porque são reais, prescindem das palavras vazias que orbitam dentro do meu vazio
vácuo sem vento

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