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domingo, 8 de fevereiro de 2015

sobre amigos, luz e solidão




ter um amigo em quem confiar é como ter uma pérola guardada numa concha. não tem pai, não tem mãe, não tem irmão, não tem outro tipo de amor que dê conta. a confiança do amigo é um troço que acolhe. você dá um conselho relativamente simples e a pessoa do outro lado, de repente, extrai de você "sabedoria". uma coisa que vai além do conselho, que precisa do ouvido generoso do outro para ser lapidado e decodificado como algo precioso.

hoje eu pedi uma "luz" a um amigo. assim que viu o chamado, ele acendeu o feixe da paciência e ouviu minhas angústias. ao término do relato ofereceu-me uma poltrona confortável do bom senso. arguiu sobre alguns passos trôpegos mas, mesmo assim, apoiou minha travessia. amigo não quer preencher os vazios da gente. amigo olha para dentro do vazio com a gente. fica na beirinha dos nossos abismos e estende a mão. mas, se realmente precisarmos, se for necessário, também são capazes de dar um empurrãozinho para dentro do escuro. porque o escuro com um amigo é só uma cortina que cai sobre nossos olhos. a noite existe, mas em seguida chega a madrugada. os amigos sabem disso antes da gente. são capazes de antecipar as horas para que sintamos o calor do sol nos nossos rostos.

tenho amigos que me ajudam a reescrever minha história. que compreendem meus rabiscos e me mostram cores novas. tenho amigos que não curtem minhas postagens do facebook ou minhas fotografias de avatar porque estão ocupados em me telefonar e me convidar para tomar um café, um almoço, uma conversa de bar. tenho amigos, poucos é verdade, tão intensos e vardadeiros que fazem da minha vida uma travessia mais interessante. que fazem da minha solidão inerente um fardo menos pesado. 


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