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terça-feira, 7 de julho de 2015

Formou



Ele preserva o mesmo olhar de quando nos vimos pela primeira vez. Meses antes, ele brincava com a minha tia, sua colega de trabalho, que um dia ía entrar para a família. Ela acreditou mais que ele. Certa vez, ela me disse que tinha um colega que gostava de gatos como eu. E que ele era o homem da minha vida. Torci o nariz porque, embora gostar de gatos (e outros bichos) seja um bom requisito, nunca acreditei em encontro às escuras, nem em encaixes perfeitos, nem em amores arranjados. Nem nem.

Agora, tenho a chance de acordar todos os dias com aquele olhar. Ele tem um olho faminto, menino, destino. Tem vezes que é tão intenso que preciso desviar para não me perder. Eu passarinho, ele catavento. Eu folha em branco, ele filosofia. Eu durmo em silêncio, ele faz sinfonia. E a gente ri porque fala dormindo. A gente chora também quando alguma coisa não dá certo. E ele corta as lágrimas com os longos cílios que tem e me dá uma vontade enorme de nunca mais soltá-lo no abraço quente que a gente se dá. Mas, tem sempre aquele olhar menino que me chama e eu tenho de olhar.

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