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terça-feira, 11 de agosto de 2015

Medo de assombração





Dia desses inventei de ver um trailler de um filme de horror que será lançado em breve. Enquanto escrevo, me esforço para lembrar do nome do filme (Goodnight Mommy, eu acho), é alemão, mas a tradução estava em inglês. Mas, o padrão da música e as imagens, no mínimo estranhas, não me saem da cabeça. É dia, eu penso. Daqui a pouco me distraio e esqueço dessas bostas de imagens. Problema, eu sei, é que mais tarde, quando a noite chegar, quando eu estiver lendo meu livro (o da vez é "Os verbos auxiliares do coração", de Péter Esterházy) na minha cama, só sob a luz da luminária amarela, que deixa o quarto num silêncio abafado de sombras, eu vou me lembrar com riqueza de detalhes das imagens e, sobretudo, das sensações que aquela música me causaram e aqueles meninos gêmeos e aquela mulher com a cara toda enfaixada e vou sentir medo. E vou entrelaçar com medos da infância. E vou me lembrar de um defunto qualquer que eu vi ainda menina dentro do caixão e suas meias brancas e o pé frio, porque na minha infância a gente pegava no pé frio do defunto para ele não vir assombrar a gente. E me lembrarei também da música que me aterrorizava "A velha debaixo da cama, a velha criava um cachorro" e de pequenos flashs de filmes de terror tipo O Exorcista ou A Hora do Pesadelo e a cara perebenta do Freddy Krueger ou do boneco Chucky e vou sentir medo. (Sou vintage nas referências dos filmes de terror porque só os assisti há mais de 30 anos).

O medo de assombração é como chuva fina que vai tomando corpo e, quando menos se imagina, vira uma enxurrada. Primeiro uma sensação estranha de não estar só. Depois, de que algo abafa os pensamentos bonitinhos de borboletas voando no meio do jardim, e aí pode partir para uma respiração entrecortada ou até mesmo uma taquicardia e um sobressalto que arrepia o corpo por dentro. Medo é uma sensação incrivelmente interligada com nosso estado de espírito. Sentimos medo quando não temos controle sobre o que se apresenta à nossa frente, nem que isso seja meramente fruto de nossa imaginação. E, geralmente é. Com exceção de quando você fica diante de um sugeito que põe uma arma na sua cabeça e te pede a porcaria do celular. Dá que um medo que gela, paralisa, ficamos obedientes feito pôneis adestrados.

Há quem tenha medo de aglomerações de pessoas, de amar, de viver, de avião. Eu já tive um tiquinho de muitos medos. Tenho mais medo agora de fenômenos digamos mais concretos como a fome, a seca, a ignorância vigente, o jornalismo, a Justiça, as passagens de ônibus, não ter dinheiro para pagar as contas do mês.


Quem quiser ver o trailler de Goodnight Mommy AQUI

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