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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Orgulho & preconceito



Morro de vergonha de fumar. Também sinto um orgulho danado da minha "coragem" de fazer algo que as pessoas torcem tanto - literalmente - o nariz. Fumar tornou-se uma prática extremamente criticável pelos outros. Você pode ser super bem sucedido; pode resgatar bichinhos na rua, pode ler muito além da média nacional; financiar projetos filantrópicos que cuidam de crianças com câncer (mesmo que ninguém saiba, porque você faz isso e não quer que os outros saibam); pode cultivar begônias no jardim; ler para cegos no Instituto dos Cegos; pode até ser um forte candidato a substituto de Madre Tereza de Calcutá mas, se você fumar é uma pessoa execrável. Fumar é mais grave do que não acreditar em Deus, em alguns casos. E, só lembrando, não tenho nada contra em quem acredita ou quem não acredita em Deus. 

Geralmente, o cigarro me acompanha nos momentos difíceis. Pode parecer algo egoísta, mas não há melhor companhia para me encarar nos momentos de ansiedade e de aflição. Fumar deixa mal cheiro, é verdade. Mas, esse lance de dizer que a gente vai morrer porque fuma, infelizmente, só funciona quando a gente vai realmente morrer porque fuma. Antes, nêgo véio, não adianta de nada dizer. Só dá uma raiva e uma certa solidão de ser apontado pelo erro de fumar por alguém que não fuma mas está encoberto por uma fumaça de arrogância em não perceber  os próprios defeitos. E, logo, por ter defeitos (nossa, quem não?) não deveria apontar com tanta rapidez o defeito dos outros né?

Conheço gente que odeia cigarro, mas não abre mão de pelos menos dois porres por final de semana. E está longe de se admitir uma pessoal socialmente dependente do álcool para se divertir, mas está lá, metendo o dedo na ferida dos pulmões dos fumantes. Conheço gente que não fuma mas come feito um esmeril da França, sem nenhum critério do que está botando para dentro do estômago e das carótidas. Conheço gente que se acha melhor que gente que fuma mas peida dentro do elevador, faz chapinha no cabelo. E muito pior, trai, desvia dinheiro público, etc. 

De maneira que, na boa, antes de apontar o dedinho para nossos medos ou coragens, vamos dar uma olhadinha em volta de si mesmo né? Se não encontrar qualquer resquício de fogo ou fumaça de defeito, pode tentar apagar o meu cigarro.

2 comentários:

Orf disse...

um poeta, não lembro agora quem, dizia que fumar era similar a suspirar, quem não fuma parece que não tem vida anterior.
Hoje fumo quando quero, tem dias que fumo 10 cigarros, depois passo 3 meses sem nem me lembrar e se alguma vez digo algo sobre fumantes não o faço - obvio - tentando magoar, é apenas aquele velho sentimento bem humano: orgulho, por ter vencido essa dependencia, depois de dezenas de anos fumando desbragadamente. Quanto a outras dependencias a pudicícia me manda calar visto eu gostar mais do que o normal de spirits inebriantes, dentre outras pequenas coisitas modificadoras do humor.
Sábias palavras as suas, Bailarina com um direto de estivador nos cornos dos politicamente corretos desses tempos e até dos - como eu talvez tenha agido - mero moleque à toa soltando chistes para a amiga.

Orf disse...

ops, corrijo: vida interior, não estava falando de vidas passadas, rsss