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terça-feira, 13 de outubro de 2015

da série não tá fácil não


Não é exatamente assim como quando estamos aguardando a chegada de uma tempestade. O tempo fica parado, as folhas não se movem, o silêncio prenuncia a catástrofe. Tampouco é a mesma sensação de destroço depois da tempestade. Os pedaços do mundo desconectados do corpo do mundo; as águas que antes lavaram, enlameando o horizonte. O cheiro insosso da morte tomando conta das narinas.

A sensação primária é a de que estou dentro da tempestade. Ainda sem tempo para vislumbrar se serei carregada pela enxurrada, se haverá um tronco para me agarrar lá adiante ou se pegarei um resfriado. Quando a gente está na tempestade a gente não pensa em mais nada a não ser no sentimento de que estamos ali, a água encharcando até por dentro da pele, as gotas de chuva tornando as coisas turvas, o rio abrindo suas pernas e braços na terra.

Eu ainda não sei quando conseguirei um bote. Mas sei que preciso respirar o quanto antes.

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