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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Bundas Friday



Uma coisa me intriga na vestimenta feminina nos últimos tempos. Aquilo que era obsessão masculina, a preferência nacional e por aí vai tem se transformado também, para as mulheres, numa ode à bunda. A quantidade de mulher arrochada que eu vejo por metro quadrado em Natal é assustadora. Se pudéssemos inverter em água as calças dois tamanhos menores que o manequim, leggings, e saias tipo dindin, acabaríamos com a seca do Nordeste e dispensaríamos a transposição do velho Chico. Toda vez que eu vejo uma mulher arrochada demais, com a bunda declaradamente exposta em curvaturas e fofuras eu penso: tá botando em promoção!

Eu acho que a gente tem direito de sensualizar, tem direito de decotar, tem direito de fazer o que quiser com o corpo. Mas precisa ser tão óbvio o tempo todo? Precisa realmente botar em promoção o tamanho da bunda? Precisa "oferecer" as curvas como se fossem um produto na vitrine? Eu acho bumbum de mulher uma das formas anatômicas mais perfeitas criadas pela natureza (a dos homens também). Mas, quando a gente vê um homem arrochado demais não é estranho? Por que nós mulheres nos expomos tanto? Por que as coisas não podem ficar um pouco mais misteriosas? Não vejo problema em insinuar, ao invés de escancarar.

Conheço uma senhora que ocupa um cargo de extrema responsabilidade; que deve ter inúmeras atribuições e problemas para solucionar no dia-a-dia e parabéns para ela, é bom ter mulheres no poder. Mas nunca a vi usando uma roupa que não pusesse no pódio das atenções a sua bunda. Nunca a vi livre, solta, dando uma banana para esse provincianismo natalense de que as mulheres têm de se vestir igual e de preferência botando a bunda em promoção num gesto ao mesmo tempo libidinoso e limitador: "vê, mas não leva"! E, ei, eu tenho bunda, mas não acho que ela deva ser o foco das atenções acima do que penso e faço. É uma coisa meio "complexo Kim Kardashian". Não basta ter bunda, é preciso que todos saibam que você tem uma, e que ela é grande, pomposa, e tem muita relevância para a paz mundial.

A obsessão também vale para saltos altos. E eu me pergunto, como é que essas mulheres aguentam esse salto que mais parece um tamborete? Parece que elas estão equilibradas em pernas de pau, usando essa indumentária para trabalhar. Se estivessem numa festa, numa boate, realizando algum tipo de fantasia sexual, vá lá, Mas não sendo isso para quê tamanho complexo de inferioridade? Por que temos de nos equilibrar em saltos horrendos, acabar com os pés, comprometer a coluna? Parecer maior não é o mesmo que ser uma pessoa grande. Se bem que, se não crescemos no amadurecimento emocional e intelectual, se ainda nos sentimos muito perdidas nesse lugar que o feminino ocupa na sociedade, então turbinamos e evidenciamos a região glútea




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