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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Tenho dito




Falamos muito em intolerância nos dias atuais. Fato. Mas, tenho pensado que também vivemos num mundo de tolerâncias. Aquelas convenientes que dançam na ciranda do "deixa isso pra lá" ou do medo de ser chato. Mas eu, uma chata convicta, atrevo-me a falar dessas tolerâncias. Estávamos eu e meu amigo Crico - Cristiano Félix, que escreve também nesse jornal - comentando que era provável que só eu e ele (no mundo) falássemos "meus óculos". Mas nós falamos assim porque é assim que se deve falar (e escrever). Aquele objeto com duas lentes que usamos diante dos olhos - seja para reparar defeito de fabricação na acuidade visual, seja para dar um "tapa" no visu ou para esconder uma noite mal-dormida - é um substantivo masculino plural. Portanto, não é correto afirmar "meu óculo"; sim, "meus óculos". Mas, a turma do "deixa disso", não gosta de ser corrigida. E eu que me vire com a minha intolerância ao erro movido pela preguiça ou pela falta de atenção às aulas de português dos outros.

E já que eu decidi falar sobre esses errinhos bestas e estou no segundo parágrafo, também quero dizer para vocês que "mim" não faz nada. Mim é um pronome oblíquo e só deve ser utilizado após preposições. Tipo: "entre mim e você tem de haver entendimento". Quem faz, quem age, quem conjuga sou eu, você, os outros. Pessoas. Pra mim andar, pra mim falar, pra mim escrever, pra mim errar, não é legal minha gente. Nesse momento se alguém estiver querendo me calar, o correto seria escrever assim: "A moça disse para eu calar a boca". "Mim" não cala a boca, porque "mim" não tem boca.

Outro pronome relativo mal empregado que me faz patinar deprimida na tolerância, para não dar um capilé na ignorância alheia é ouvir e ler gente falando "onde", quando não há noção de lugar. É tão difícil pra mim que nem consigo formular um exemplo com facilidade. Mas seria mais ou menos assim: "Esse tema é tão delicado, onde as pessoas geralmente entram em conflito". Tá errado. Tema não é lugar. E quando não há lugar, não se usa onde, sacou? 

Mas, tem coisa pior que português ruim, que é rima barata. Mas isso seria assunto para outro artigo. Eu não tenho nada a dizer para quem defende que o importante é ser entendido. Não sou teórica da linguagem. Sou somente uma moça que aprendeu a ler aos quatro anos, primeiro inventando os diálogos e depois juntando as letrinhas nos gibis e, desde então, tenho um apreço danado pelo vernáculo e um respeito profundo aos meus professores e às regras da minha língua mãe. E tenho dito. Mas sei que não vou mudar o mundo. Só continuarei chata.

2 comentários:

abuelitapeligrosa.blogspot.com disse...

Viiiiiiixi! Me senti pequenininha agora. Que faço com minha apostilha que me custou milhares de horas de pesquisa?

Mme. S. disse...


que qué isso. deixe de modéstia. sua apostila deve ser uma pérola (que eu espero que não seja aos "poucos"). beijos.