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sexta-feira, 15 de abril de 2016

As mentiras nossas de cada dia



De um modo geral, sentimos vergonha de admitir que mentimos para os outros. Mas o fazemos mesmo assim. Tão ruim quanto, é quando mentimos para nós mesmos. De uns tempos para cá, o cigarro tem me feito muito mais mal que me dado o prazer das tragadas. Morro de inveja dos fumantes que engolem a fu-maça como se fosse pão quente. Eu me sinto cansada, fedorenta e acordo com dor de cabeça. Então, fumar não é uma coisa boa pra mim. Mesmo assim, quando bate a fis-sura, eu penso, só um, não vai fazer tanto mal. E continuo me sentindo cansada, fedorenta e sabendo que posso acor-dar com dor de cabeça.

Alguém já disse estar de dieta e comeu cartola, brigadeiro, pizza, picanha, filé à parmegianna e diz "não, é só por hoje". Perde duzentas calorias na esteira ou no spinning e corre para um fast food para se "premiar" pelos esforços. Quem nunca? Tem aquela outra também, a pessoa está cheia de coisas para estudar, daí cancela todos os compromissos e convites para sair ou bater um papo com amigos e senta na frente do computa-dor, passa 40 minutos no facebook - bisbilhotando a vida dos outros, às vezes de gente que nem conhece - e 20 minutos lendo a apostila. Então fica com a "vista cansada" e desiste de estudar por hoje. Sei.

No campo da políticas nacional também vivemos uma grande mentira no momento. Um dos maiores escroques, crápulas e chantagistas que o Brasil já teve sentado à direita da direita do Congresso Nacional, chamado Eduardo Cunha, comanda um processo de impedimento, cujo principal argumento é o de combater a corrupção da presidenta e seu partido. De concreto não encontram nada contra ela. En-quanto Cunha tem pelo menos 22 processos no Supremo Tribunal Federal; faz manobras visíveis para aprovar e conduzir a Câmara dos Deputados a seu bel prazer, e conta com a a ajuda de jornalões e revistas que representam a direita e que sempre se locupletaram com a ausência de democracia no nosso país. No entanto, mesmo correndo sé-rios riscos de sermos comandados por esse notório mau caráter e ladrão do dinheiro público, ainda há quem brade pela legitimidade dessa manobra.

Para finalizar, tem aquela mentira de adiantarmos o relógio em 15 minutos para dormirmos um pouco mais ou não chegarmos atrasados nos compromissos. Mas, quem faz isso, jamais esquece que o relógio está adiantado 15 minutos e termina por se aproveitar desses minutos para se atrasar. Vai entender né? Mas, tomara que usemos nossos auto-enganos apenas para nos atrasar nos compromissos e que não os usemos para atrasar nosso país em anos e décadas de lutas e conquista de direitos.

Texto publicado originalmente no Novo Jornal

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