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sexta-feira, 1 de abril de 2016

Humanidade




Ando sensível por esses dias. Choro fácil. Quando me sinto assim, com essa vulnerabilidade ao toque do vento, mergulho fundo. Para ver até onde vai me levar esse labirinto de sentimentos que tanto me torna quem sou, quanto me leva a ser menos eu e pensar mais na vida dos outros. Não que precisemos negar nada de nossas vidas, até mesmo quando as coisas tristes têm um peso maior que os nacos de doçura. Mas, tirar os olhos do próprio umbigo, ter empatia com os outros, sobretudo em momentos difíceis, nos deixa menos ocupados com nossas dores.

Pois bem, eu falava em mergulho profundo. E se é para chorar, botar pra fora sentimentos indizíveis e desidratar a membrana ocular então procuro um filme. Não estou falando de Armagedon, Menina de Ouro ou Diários de uma Paixão, porque se for para ir por esse caminho, melhor descascar cebola. E já assisti umas 20 vezes, "A felicidade não se compra" (Frank Capra - 1946) escolhi, por esses dias, "O Aluno", que também pode ser encontrado como "Uma lição de vida", de Justin Chadwick, que se baseia na história real de Kimani Ng'ang'a Maruge (1920–2009), um ancião queniano que aos 84 anos quer aprender a ler. Problema é que onde ele mora só tem uma escola primária, onde das 50 vagas oficiais, já existem 200 crianças em idade escolar tentando aprender a língua dos colonizadores ingleses. Maruge quer ler porque recebeu uma carta dos ingleses.

Ele é um desses personagens que transpira dignidade. Guerreiro da tribo Mau Mau que travou uma brava batalha contra os ingleses - uma das responsáveis pelo processo de libertação do Quênia, Maruge não consegue ouvir direito e teve dedos arrancados pelos torturadores. Mas não fora isso a pior coisa que lhe aconteceu. Viu mulher e filhos serem assassinados. Mais um motivo para chorar bicas no filme é a relação que se estabelece entre ele e a professora Jane, que enfrenta resistência da comunidade, dos chefes e até do Ministério da Educação para ensinar a ler o velho e nobre guerreiro.

Não dá para negar que o diretor carrega nas tintas. É realmente um filme para chorar. Mas é um filme - que leva à reflexão de sentimentos e ações nobres. Luta pela liberdade, dignidade, solidariedade, educação e respeito são alguns motes trabalhados na película que dá para serem transportados para nosso cotidiano. Para repensarmos sobre nossas reais dificuldades e sobre quem são e como vivem os outros, mesmo que distantes da gente, as pessoas têm conexões absolutamente contundentes e, ao mesmo tempo, sujeitas à vulnerabilidade. Sorrir, chorar, sentir fome, sermos respeitados e livres são condições que fazem parte da nossa humanidade, dessa presente na vida e nos filmes e que jorram dos nossos olhos para nos lembrar de quem somos.

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