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sexta-feira, 13 de maio de 2016

A imagem amarga do retrocesso



Dentro da casa da gente quem manda é a gente, correto? Entra quem queremos, senta no sofá somente amigos e por aí vai. Entretanto, em se tratando da programação televisiva brasileira, há muito ainda o que se avançar. Estamos longe de sermos "donos" da programação, ou pelo menos respeitados pelo que assistimos e, principalmente, nossas crianças e adolescentes. Somos obrigados a engolir verdadeiras aberrações éticas, juízes e torturadores travestidos de jornalistas falando o que bem entendem e condenando pessoas antes da Justiça, dentre outros desvios. A classificação indicativa ao menos obrigou as TVs a informar sobre o conteúdo dos programas antes de sua veiculação.

“Não se engane, tem coisas que o seu filho não está preparado para ver”, é o que alerta uma campanha da Secretaria Nacional de Justiça, do Ministério da Justiça, diante de mais uma manobra das televisões brasileiras - que são concessões públicas - e que querem acabar com as multas pelo descumprimento da Classificação Indicativa, conquistada desde 2006. Países como França, Estados Unidos e Canadá já respeitam a classificação indicativa. Mas a emissoras brasileiras moveram uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 2.404 no Supremo Tribunal Federal (STF) para acabar com essa regra. Próxima quinta-feira, 12, haverá a votação dos ministros sobre a pauta. A questão é, ficaremos de braços cruzados sobre o que os programas de televisão impõem aos nossos filhos ou vamos nos posicionar?

Precisamos pensar sobre a responsabilidade de criar, orientar e proteger as crianças do nosso país e isso passa pelo que elas assistem em casa, sobretudo longe dos pais, muitas vezes ocupados, em seus trabalhos fora o dia todo. A alegação de que a Classificação Indicativa esbarra na liberdade de expressão cai por terra, quando essa liberdade viola direitos, sobretudo os da infância. Sem a regra, as televisões cruzarão os braços diante da responsabilidade de veicular em horários impróprios, conteúdos de sexo e violência, temática que tem seu tempo e espaço na vida de cada um de nós. E, definitivamente, precisamos pensar sobre o desenvolvimento infantil e que ele aconteça sem atropelos ou estímulos externos que possam traumatizar muito mais que educar.

Na página no Facebook Programa Adulto em Horário Adulto é possível ler a assistir depoimentos que esclarecem a temática e conclama pais, mães, cidadãs e cidadãos a se posicionarem e não permitirem retrocessos na legislação que protege crianças e adolescentes. Educação é um fruto que se cultiva em casa, mas o gosto doce ou amargo desse fruto é responsabilidade da família, do Estado e da sociedade.

Publicado na terça, no Novo Jornal

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