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quarta-feira, 18 de maio de 2016

Clube do Bolinha



Desde semana passada, quando o presidente golpista em exercício assumiu o comando do Brasil, muito tem se falado sobre o fato de que só homens brancos assumiram as cadeiras dos ministérios. Não me surpreende. Depois da matéria na revista exaltando os dotes de sua esposa 40 anos mais jovem, "bela, recatada e do lar", alguém duvida de como pensa esse Governo? 

Em se tratando de presença feminina no parlamento ocupamos o 155º lugar no ranking de 185 países. Dados da Uni-ão Interparlamentar (IPU), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo eles, temos a pior posição na América Latina. O Executivo não está refletindo uma nova realidade. Pelo contrário, ele retrocede em não dar espaço algum à mulher. E vai além, ele não nomeou ninguém para o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. Pre-cisa desenhar? Se você que está lendo esse texto agora, acha que isso que estou falando é bobagem, que lugar da mulher é na cozinha, ou que direitos humanos é coisa para defender bandido, coloque sua alienação no saco e vá refletir sobre o presente e o futuro que você quer para suas filhas e netas.

Estamos em 2016, século XXI e somos mais de 50% da população. Posso usar um exemplo rasteiro e simples para explicar qual a importância da presença feminina nos espaços de poder. Quando você vai ao supermercado, e leva seu filho ou filha junto, de cinco anos, eles opinam sobre o que querem comer? Ou no cinema, sobre o que querem assistir? Sim. Opinam e são atendidos. Porque isso é respeito. Isso é dar espaço. Entretanto, algo tão simples não é seguido nos espaços políticos do país, com relação à presença feminina, que cor-responde apenas a 10% do parlamento, embora sejamos 74 milhões de votos.

E mesmo que essas mulheres que ocupam os espaços, eminentemente masculinos, reflitam os conceitos machistas, ainda assim defenderei a presença delas nesses na esfera política. Porque sei que é um processo lento e que exige paciência a conquista pela igualdade de direitos. E infelizmente muitas mulheres ainda não entenderam sua importância e papel na luta por esses direitos. E essa minha “cantiga de grilo” só vai aca-bar no dia em que os jornais, revistas e televisões não repe-tirem dados ano a ano – geralmente no dia 8 de março antes da distribuição de flores - que as mulheres são maioria, mas ganham menos nos trabalhos, são mais responsáveis – e cobradas - por tarefas domésticas e por aí vai.

A estrutura conservadora tende a ridicularizar ou intimidar o que o feminismo representa. Mulher no poder deve ter “pele de rinoceronte” ou então se contentar em ser parte da decoração que embeleza a sala. Nem uma coisa nem outra. Chega de clubes fechados. Esse dia vai chegar.


Texto publicado ontem no Novo Jornal

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