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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Saia do Armário


Quando vejo alguém defendendo essa PEC 241 do governo ilegítimo, usando dois argumentos cabais: o primeiro é que é necessário parar com a "gastança" feita pelo Governo anterior e, segundo, comparando com os gastos de nossa casa, me vêm alguns pensamentos: ignorância total ou, o que é mais provável, má fé, oportunismo, canalhice e politicagem. E, atenção, essas informações você não terá acesso assistindo ao Willian Bonner. 

Corremos riscos de congelamento em políticas públicas, certo? Salário mínimo, saúde, educação, assistência social, cultura. O que ninguém fala é que se a arrecadação continuar caindo mais do que o corte que foi feito, nada disso vai adiantar. Utilizemos os mesmos argumentos dos defensores dessa PEC cruel  para que o Brasil "volte a crescer". Se um dono de casa resolve fazer economia em seu lar, ele vai diminuir gastos com a educação, com a saúde, a comida e o transporte? Ou ele cortaria o que, digamos, é excedente? 

Estranho pensar em corte de gastos justamente quando esses cortes atingem tão somente a classe trabalhadora? E não falo só de operários. Falo com você, que vive de salário, que tem carro e casa financiados, que faz compra divididas em cartão de crédito, que planeja férias dois anos antes e que pensa que porque tem um SUV financiado em 36 meses, faz parte da casta de ricos e da "elitche". Você já parou para pensar que enquanto estão planejando congelar os recursos do SUS - aquele serviço público que manda a ambulância socorrer os acidentados de trânsito, por exemplo, antes da sua home care pensar em atender seus telefonemas, o Judiciário e o Legislativo não estão sofrendo nenhum tipo de corte na gastança pública? Muito pelo contrário.

Você que é pensionista e está chateado por conta dos parcos reajustes, já percebeu que estão botando a culpa na Previdência? Ou, já se tocou que, sem investimentos na segurança, policiais civis e militares, agentes e delegados terão argumentos de paralisação ainda mais contundentes? E haja violência. Você que reclama de passar duas ou três horas numa clínica médica, esperando seu médico, já pensou que se os Planos de Saúde - que já repassam tão mal para os profissionais cooperados - tiverem ainda mais mercado, que isso piorará ainda mais? A PEC 241, que limita o aumento das despesas do governo à inflação do ano anterior por um período de 20 anos é uma crueldade.

O descontrole das contas governamentais não é fruto da despesa, e sim da receita, da arrecadação. Tem ideia de que enquanto você paga imposto da garrafa de água mineral à alíquota anual do IRPF; o rico ganhador de dividendos não tem taxação alguma, nos milhares de reais que embolsa? Você sabe o quanto de juros pagamos para a dívida externa? Saia do armário da ignorância, meu amigo. Pense. Diga não à proposta que vai aniquilar o que você já conquistou em 27 anos de Constituição.

A poesia não serve para nada


A poesia não serve para nada. É diferente de qualquer outro tipo de manifestação artística e outro tipo de olhar sobre as coisas, reais e imaginárias. É diferente da música, propriamente dita - aquela feita com o auxílio de instrumentos - porque os ouvidos estão sempre abertos. São janelas escancaradas a escutar. Já a poesia, essa precisa do olhar. Aquele que não se encerra simplesmente em algumas piscadas. Tem de ser um olhar por dentro.

A poesia não é uma atividade prazerosa. É trabalho. Duro e sem salário. E pouco importam as circunstâncias que levam a esse trabalho. Poesia não é antídoto contra dor de corno; nem cura de ressaca. Poesia não é carta de amor. Nem de desamor. Poesia é arrancar a unhas o ritmo contido no tempo. E matar o tempo, que é narrativa. Poesia não serve para deixar ninguém famoso; ou para aparecer em foto ou listinhas. O título de poeta geralmente é exposto nas prateleiras de quem mais fala ser poeta e menos escreve. Repare bem nos poetas. São, por vezes, tímidos. Quietos. Econômicos na verborragia metalinguística do seu labor. Amargurados em sua condição de enxergar o mundo sob a ótica de uma realidade pouco compreendida e bastante ignorada. 

Escrever poesia é fazer uma corrida de costas, olhando nos olhos dos chavões que jorram fáceis e são convidativos. É cuspir um a um, e falar a mesma coisa, mas de um jeito único. Falar sobre nada e dar importância às coisas sem importância. 

Aliás, poesia é o desnudamento da palavra, não do poeta. Poesia é se refugiar no mato, para encontrar no meio das ervas um trevo de quatro folhas. Ou inventar um, que seja. Poesia não é crença, nem faz milagres, nem salva ninguém.

Por isso que a poesia não serve para nada. O mundo está muito ocupado para carecer de poesia. Quem diabos quer saber de Bob Dylan e de T.S. Eliot? Quem quer saber de Wislawa Szymborska?(a gente não sabe nem pronunciar direito o nome da criatura!). De quem eu peço emprestado um poema para encerrar essa crônica. “Somos filhos da época/ e a época é política/ Toda as tuas, nossas, vossas coisas/ são coisas políticas/ Querendo ou não querendo,/ teus genes têm um passado político,/ tua pele um matiz político,/ teus olhos, um aspecto político./  Até caminhando e cantando a canção/ você dá passos políticos/ sobre um solo político./ Versos apolíticos também são políticos./ e no alto a lua ilumina/ com um brilho já pouco lunar./ Ser ou não ser, eis a questão./ Qual questão, me dirão./ Uma questão política./ Não precisa nem mesmo ser gente/ para ter significado político./ Basta ser petróleo bruto,/ ração concentrada ou matéria reciclável./ Enquanto isso matavam-se os homens,/ morriam os animais,/ ardiam as casas,/ ficavam ermos os campos,/ como em épocas passadas/ e menos políticas.

Férias no Cabelo


O filme “La Delicatesse” começa assim, Nathalie (Audrey Tautou) e François (Pio Marmai) são um casal apaixonado e têm muito em comum. Se casam, fazem planos, viagens e sonham em um dia ter filhos. Mas, o filme dirigido pelos irmãos David e Stéphane Foenkinos, está longe de ser um filme comédia romântica adocicada, do tipo "Comer, Rezar, Amar". Logo no início, o marido de Nathalie morre num trágico acidente de carro. Sentimos um baque, claro, porque quando a perfeição parece tão próxima e tão plástica, difícil aceitar que ela não existe mais. Dá para sentir a dor contida e quase insuportável da personagem. E agora? O que é que se faz com o peso de uma perda desse monta? O filme mostra uma dor silenciosa. Sem sentimentalismos, a lá novela das sete, ou cenas em que ela se encostaria na parede em prantos e deslizaria lentamente até o chão agarrada com um cachecol do marido.

Nathalie se joga no trabalho. Vira uma workaholic. Aparentemente nada muda em sua vida, seu apartamento, seu cabelo, durante três anos, até que ela num impulso beija o colega de trabalho, sueco e sem graça, Markus (François Damiens). Parece mais uma brincadeira. Tive a impressão que ela estava testando sua capacidade de sentir desejo por alguém que não fosse o marido morto há tanto tempo. Mas, Markus não vê assim. A partir do momento em que é beijado por ela, sua vida que parecia uma película em preto e branco (nada contra os filmes noir, isso é só uma figura pobre de linguagem), ele parece que está num passeio à Disney, de tanta cor que se lhe apresenta. Markus é uma pessoa infinitamente doce, simples e benevolente com todos à sua volta. Tem um momento do filme em que ele confessa que está tão fascinado pela chefe que seria capaz de "tirar férias no cabelo dela".

Eu acho que foi a maior declaração de amor que eu assisti em um filme em toda a minha vida. Querer tirar férias no cabelo de alguém é uma coisa absolutamente inusitada e quase devocional. "A delicadeza do amor", tradução para o português, protagonizado pela mesma moça que fez "O fabuloso destino de Amélie Poulain" não é somente um filme de amor. É um filme sobre recomeço. A suposta "feiura" de Markus também revela o preconceito que algumas pessoas cultuam em querer encaixar casais em determinadas formas. Markus é doce e sabe que essa doçura é permissiva para que os desrespeitem. 

O filme revela, sutilmente, a chance que as pessoas veem umas nas outras de poderem ser ouvidas, compreendidas, de não se sentirem ridículas ou frágeis por estarem descobrindo no amor uma chance de viver de maneira absolutamente igual, mas totalmente diferente, percebe? Não há salvação para ninguém no filme. Eles só estão se permitindo viver e amar. Amar e viver.

Desenhos da Alma



Eu jamais me descabelaria por conta de um cantor de tecno-brega, forró universitário ou axé qualquer coisa. Mas entendo o frenesi que algumas pessoas sentem quando se veem diante de seus ídolos. No meu caso, meu descabelamento - ao menos mental - se dá quando fico próxima de algum escritor do qual sou leitora e admiro sua escrita. De alguns que já tive a chance de conversar, cito três: Milton Hatoum, José Eduardo Agualusa e Francisco Alvim. E, pensando agora sobre o comportamento dos três, acho que se eles percebessem que eu estava me descabelando por dentro, decerto eles ficariam muito retraídos. Porque são, acima de tudo, seres humanos simples, acessíveis, quase que agradecendo ou pedindo desculpas por estarem falando desse ofício, que é tão solitário.

Quando entrevistei Agualusa, por exemplo, ele falava muito baixo e pausadamente. Mas o tom não era monótono, era só um mecanismo para que pudéssemos ruminar as palavras com o mesmo prazer com a qual as mastigamos em uma leitura boa. Em princípio, ao invés de falar de si mesmo, ele me perguntou se eu já tinha lido o Mia Couto - um grande amigo seu, por sinal. Eu disse que só tinha lido o livro "O fio das miçangas" e ele insistiu: "Você deveria ler mais o Mia. Ele é um grande escritor".

Com Chico Alvim, chegamos a trocar alguns e-mails, após a entrevista que foi rica e cheia de significados de vida e aprendizado para mim. Ele queria ver como ficara a matéria e, nessas horas, é meu momento de ficar tímida. Ele me foi tão acolhedor que senti vontade de falar sobre esse encontro do meu jornalismo e a poesia daquele homem elegante, tempos depois no meu blog. E, qual não foi minha surpresa que recebo tempos depois o e-mail que transcrevo: "Minha cara Sheyla, outro dia dei com suas palavrinhas no seu blogue de título formidável. Como agradecer tanta bondade, carinho? Falta agora você cumprir sua parte do nosso trato: quero conhecer o Newton Navarro. Você me manda um abraço repleto de maresia.Em troca, receba o meu, com uma braçada de céu". Bom, nem precisa dizer que eu mandei meu livro para ele e que, depois, ele me presenteou com alguns exemplares seus, como por exemplo, "o metro nenhum" da Companhia das Letras.

Hatoum é um homem grandão, com uma voz grave e afável. Disse-me que não gostava de fazer qualquer mistificação com relação ao seu trabalho na linguagem. Que era mais leitor que escritor - aliás uma característica típica de um verdadeiro escritor. E a revelação que mais me surpreendeu: que escrevia todos os dias à mão. Falou isso sem imaginar que essa poderia ser uma informação valiosa para uma jornalista. Mas não era de imenso valor só porque eu tomaria essa informação como mote. Era rico saber desse seu hábito, porque as palavras escritas a mão são desenhos da alma do escritor. São palavras virgens de tinta, sem a pretensão da gráfica. São faíscas simples da grande explosão que as precede.

Levante-se!



A imagem divulgada numa rede social era bem interessante, remetia, acho, a uma pintura renascentista, uma mulher deitada sob umas almofadas e um enorme couro de tigre e, uma outra mulher, de pé, tentava despertá-la. Mas, a frase que colocaram para acompanhar a imagem me impressionou mais ainda: "Vamos levantar, que os paradigmas não se desconstroem sozinhos".

Às vezes, levantar para desconstruir um paradigma é difícil. Quando me lembro que passei seis longos anos da minha vida esticando o meu cabelo com química, e queimando o casco da cabeça naquelas sessões de tortura que era fazer escova quase toda semana, para me sentir "lisa" e aceita pelos outros, sei que ao assumir de vez meus cachos foi sim uma quebra de paradigma. Muito antes dessa onda - muito favorável a meu ver - de valorizar os cachos das madeixas femininas. Atitude essa, a meu ver, que é a afirmação de uma identidade negra e crespa que eu e tantas outras mulheres carregamos na genética. E não há problema algum em sustentar isso.  Afinal, antes de tudo a gente precisa assumir quem é, saber de onde viemos e para onde queremos ir. Não sou contra qualquer tipo de tratamento, cuidado ou estética que a pessoa queira fazer para se sentir melhor. Mas discordo veementemente da ditadura da estética imposta pela futilidade do consumo e da busca desesperada por um modelo ideal jamais alcançado. Porque, o que o mercado quer, é que jamais alcancemos a felicidade. Ou, melhor, a liberdade de não precisar ser feliz o tempo todo. Uma pessoa plena e consciente de seu corpo, seu rosto e suas marcas não se frustra e, logo, não continua no desespero de comprar e buscar novas fórmulas de perfeição e aceitação. É um ciclo vicioso e cruel e todos estamos fadados a cair nele, até decidirmos quebrar o paradigma. 

Vamos a mais uma quebra de paradigma: não somos obrigados a ser felizes o tempo inteiro. Segundo, admitir-se não ser feliz full time não é sinônimo de “drama” ou de infelicidade. É sinal de que estamos conscientes de nossas fraquezas, angústias, falhas e que o mundo não gira na órbita do nosso querido umbiguinho. Ok, as pessoas podem fazer o que quiserem com seus umbigos (inclusive drenar e lipar); mas, para isso, não precisam anular como funcionam e vivem os umbigos dos outros. Mais trabalho, respeito e menos narcisismo, por favor!

O que é engraçado no mundo dos narcisistas de plantão é que tudo de ruim que lhes acontece, eles colocam culpa na “inveja” dos outros. Esquecem que ninguém é capaz de sustentar 24 horas do dia, um mundo de fantasia e falsidade. Todo mundo tem remela, meleca, solta gazes e problemas, inclusive os que tentam sustentar que suas vidas são perfeitas. Incapazes de perceber que as pessoas, de um modo geral, estão vivendo suas vidas e “andando” para quem nada tem nada mais a oferecer a não ser velhos paradigmas.


terça-feira, 4 de outubro de 2016

Pelo direito de chorar e outras coisitas más...




Eu poderia falar sobre a crise política, ruptura da democracia, do abismo conservador e direitista ao qual escorregamos profundezas abaixo, eu poderia falar sobre a vergonha que sinto sobre o jornalismo praticado pelos jornalões e televisões Brasil afora, eu poderia falar sobre a crise hídrica que agora assola também Brasília, ou poderia até falar sobre o lobysta João Dólar, que ganhou as eleições no maior centro "cultural" do Brasil, eu poderia falar sobre o noticiário local de hoje, que deu conta de um assaltante fugitivo quatro vezes de Alcaçuz, eu poderia falar do estado de exceção, golpe, o papa Francisco, as crianças que continuam morrendo na Síria, poderia falar das palestras água com açúcar do padre Fábio de Melo. Eu poderia até mesmo me calar. Mas eu quero falar de um tema que a mim me é inerente: ser mulher.

E vou retransmitir uma declaração que Jorge Luis Borges fez na Rádio Nacional Argentina, ao entrevistador Osvaldo Ferrari, cujo conjunto de entrevistas virou três livros que transcrevem essas conversas, numa coleção chamada Borges/Osvaldo Ferrari. No título "Sobre a Amizade e outros diálogos", eles estão falando sobre Quevedo e o ceticismo que esse tinha com relação às mulheres, ao ponto de recomendar "prevenção" a elas. E Borges discorda: "Bom, eu não posso concordar com Quevedo sobre isso... para mim, há algo tão grato numa mulher, em qualquer mulher, algo evidentemente não pode ser definido, mas existe um agrado no simples fato de estar com uma mulher. Não tem nada a ver com o amor, nem com a sensualidade; é o fato, bem, de algo que é levemente diferente, mas não muito diferente, suficientemente diferente para ser percebido e, ao mesmo tempo, suficientemente próximo para que essa diferença não nos separe. Agora, eu penso que isso acontece em todo relacionamento de amizade, mas eu diria que há algo na amizade de uma mulher, ou simplesmente na presença de uma mulher, que não existe na presença de um homem".

Eu pensava a mesma coisa intuitivamente. Nunca conseguiria transmitir dessa maneira genial e simples do Borges. Mas, quando eu li, foi como se estivesse a tomar um copo de água gelada no meio do deserto. As mulheres têm um quê de acolhedor em sua existência como quando você pisa com os pés descalços em grama verde. Em reuniões com homens e mulheres, por exemplo, eu sinto facilmente essa diferença. Não quero alimentar nenhum tipo de estereótipo com isso, claro. Nem fazer guerrinha de gênero. Mas, às vezes a intuição e sensibilidade precisam tomar a frente à dialética, esse pilar construído à luz da argamassa masculina. Lamento que algumas mulheres ainda olhem umas para as outras como concorrentes; que disputem espaços de poder como se fossem cavaleiros armados. Meninas, lembrem-se: armaduras ferem a carne! Conheci algumas mulheres que conquistaram espaços de poder fazendo piadinhas sexistas e se identificando principalmente com o pensamento dos cuecas, para se sentirem "aceitas". Morrerei (de cólicas) defendendo o direito de sentirmos TPM; defendendo o direito de sentirmos diferente dos homens; de chorarmos ao invés de colocar o "pau na mesa". Uma amiga me confessou que esse ano, ouviu de um homem, que ela pensava ser amigo, que tinha lhe dado espaço na empresa para ela se "empoderar". Mas havia um detalhe nessa benevolência toda: embora no papel eles tivessem as mesmas atribuições, deveres e direitos, suas opiniões não eram respeitadas em igual peso que as dele e, enquanto ele desfrutava dos louros de ser um homem de negócios, ela fazia a faxina e lavava o banheiro do local de trabalho. E nunca sobrava dinheiro para ela receber algum "salário" pelas suas horas trabalhadas, porque o poder que ele lhe conferiu, sustentava-a num fio de humilhação e subserviência. Ela quebrou o fio, claro! Triste esse tipo de poder. Triste a figura feminina ainda ter de ser medida pelos gomos malhados de seu abdômem ou na firmeza de sua bunda.

Por isso, quando eu vejo mulheres resolvidas, livres e trabalhadoras, construindo algo que é delas mas que é ao mesmo tempo algo compartilhado, eu tenho vontade de ficar perto; tenho essa sensação de agrado da qual Borges fala. Estarei sempre atenta ao direito de sermos quem somos. Homens e mulheres, podem chorar de vez em quando. Podem até mesmo gritar, espernear e se descabelar. É feminino isso. É humano.