Google+ Followers

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

já vai tarde, 2016!



Eu sei que a gente ainda não acabou o ano, mas eu preciso fazer minha retrospectiva pessoal. E dizer que 2016 já vai mais do que tarde. Aliás, 2016 começou a dar com os burros n´água lá pelos idos de abril.  De lá para cá foi só ladeira abaixo.

E que já não é mais tão pessoal assim, uma vez que eu estou aqui dividindo com vocês, eu não vou falar somente de coisas pessoais. Aliás, eu acredito que tudo é pessoal. Não dá para dissociar uma opinião ou atitude do nosso corpo e mente e dizer "não é pessoal" e daí se transformar numa gaveta ou numa berinjela e deixar de ser uma pessoa toda vez que falar o que se pensa. Então, evitarei intimidades do tipo dizer que tenho intolerância a lactose, e o que acontece quando eu como comidas impróprias para um intolerante à lactose.

E por que que eu acho que 2016 já vai tarde? Seguem alguns singelos exemplos: Donald Trump venceu as eleições nos Estados Unidos; e acredito que nessa muita gente vai concordar comigo. Pessoas caçando Pokémon pelas ruas. Sem comentários. E, esse não é um mal de 2016, grupos de WhatsApp. Afora os intermináveis "bom dia" que a gente tem que ler, agora tem também as correntes. Eu já quebrei tantas delas me sinto uma assessora direta da Princesa Isabel.

Coisas nada a ver do ano: o excesso de homem de barba grande e de coque tipo samurai, todos pensando que são o cara da Trivago (e não são); mulheres vestindo caudas de sereia (como assim? Uma síndrome tardia de Ariel?) e a Janaína Paschoal babando a “hashtag-alôca-simbólica-mãe-do-golpe-pelo-bem-das-criancinhas”. Momento bem feito do ano: o salafrário do “Malafa” revoltadinho com a condução coercitiva.

Frases do ano: “primeiramente Fora Temer”, “o choro é livre”, “primeiro a gente tira a Dilma, depois tira o resto”, “Vai morar em Cuba”. Momento mais musical do ano, o Bob Dylan ganhar o Nobel de Literatura. Momento mais poético do ano, o Nobel de Literatura ser para um compositor musical. Momento mais a cara do Temer do ano, o ministro da Educação do Governo golpista receber projeto do Alexandre Frota para melhorar a gestão.

Momento do ano em que percebi que os capitalistas empresários estão lucrando (e muito) com a crise: o quilo do feijão ultrapassar os oitos reais nas prateleiras dos supermercados.

Medos em 2016 que permanecerão em 2017: desemprego, crise, recessão, o Congresso Nacional, a rede Globo, os neo-pentecostais fazendo e aprovando leis, a bancada da bala e dos bois aprovando o uso de metralhadoras nas vaquejadas. Frase fofa do ano: "Tchau, querida”. Arrependimento do ano: muito pessoal, não vou falar. Mas acho realmente uma pena que o meteoro não tenha passado em 2016.


Publicado no Novo Jornal, na versão impressa; e no portal Substantivo Plural

Nenhum comentário: