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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Sem alma, suor e amor





Responda rápido essa pergunta: o que é mais opressor? Uma burqa, um biquíni ou um burkini? Provavelmente a maioria de nós pense em responder de imediato que o que mais oprime é a burqa, ou o burkini (um neologismo que une as vestimentas burqa e biquini, utilizado por mulheres muçulmanas. A peça foi criada há quase 17 anos, na Austrália, pela estilista Aheda Zanetti, muçulmana nascida no Líbano, e é popular entre as mulheres que necessitam cobrir todo o corpo ao sair de casa). Essa regra não vale para todas as muçulmanas. Sé em algumas regiões.

 Mas, numa reflexão mais apurada, pergunto novamente, o que seria mais opressor? Uma vestimenta que esconde ou uma vestimenta que te julga? Quantas de nós mulheres - e incluo os homens também, cada vez mais paranoicos com essa questão de beleza - não se sentiu mal em tirar a roupa na praia? Não sentiu olhos imaginários catalogando sua bunda e cada celulite que possa existir nela? Lembro-me de uma repercussão que ocorreu anos atrás, quando nossa top Fernanda Tavares desfilou de biquíni e apareceu uma celulite em seus glúteos magrinhos. Isso mesmo, UMA celulite. Pauta nos jornais televisivos, gente horrorizada!

A burqa é sem dúvida um controle sobre o corpo feminino. Aliás, questões culturais e religiosas há muito tempo, controlam o corpo feminino, colocando-o como uma propriedade do masculino, do patriarcado, do pai e do espírito santo. Mas, e o biquíni não é? Se nem todas as mulheres se sentem à vontade para expor suas curvas na praia, e se sujeitariam até mesmo a usar um burkini para fugir dos olhares, será que não somos também oprimidas pela fantasia do corpo perfeito? Pela exigência de padrões alcançados somente por uma ínfima parcela de seres humanos que têm tempo largo para gastar em academias, ou com médicos, esteticistas, cremes, drenagens e uma boa dose de falta do que fazer?

Se algumas muçulmanas perdem sua identidade visual por conta das burqas, muitas de nós ocidentais, perdemos nossa identidade visual por conta das atrizes de novelas que, milagrosamente, após três meses que pariram, aparecem em fotos na praia sem um pingo de barriga, ou por causa de outras moças que têm como profissão fazer do corpo um produto, uma vitrine da moda ou do fitness. Elas estão erradas? Precisam ser excomungadas? Claro que não!

Entretanto, esse sistema de dominação, seja ele religioso, seja ele consumista não nos representa! Saiamos desse corpo fantasioso que não nos pertence! Aliás, não pertence a ninguém. Antes um corpo imperfeito que sente, que pulsa, que um corpo desenhado, mas sem alma, sem suor na cama e sem amor.

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