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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

E eu com isso?




As pessoas comemoram os corpos esquartejados no presídio, do mesmo jeito que comemoram o AVC e agora a morte da ex-primeira dama do Brasil. Gente que se diz cidadã de bem, que trabalha, paga impostos, vai à missa ou ao culto, que é temente a Deus. Aliás, "Good Citizen", era o nome do jornal veiculado pelos grupos que deram origem ao Ku Klux Klan (que pregava a superioridade branca, era ultra-reacionário e extremista), e que me parece ser reeditado todos os dias nas opiniões e posturas nas redes sociais, quando o assunto é a  condição humana daqueles que não são espelho.


A gente só é e faz aquilo que chegou primeiro em pensamentos e palavras. A barbárie começa quando olhamos para o menino que está pedindo esmola no canteiro e pensamos que ele vai nos roubar e, em seguida, dizemos: "tão novinho, já se encaminhando para o crime". Se eu não tenho a capacidade de transferir para outras pessoas os mesmos sentimentos e sentidos que me tornam humana, que me fazem ter fome, sede, frio, medo, dor, desejos, necessidades, satisfação, essa outra pessoa passa a ser uma coisa que pode ser decepada, esquartejada e queimada. Ela não é mais um ser humano. E eu nem sinto culpa em julgá-la inepta ou inapta pra vida, e de desejar ou vibrar com sua morte. E me esqueço também de que viver em condições subumanas, sem água, com comida precária, sem o convívio da família, dentro de verdadeiras jaulas, na companhia de estranhos perigosos, não será uma situação que se encaixe como antídoto contra a violência e a recuperação social.

E se alguém que me lê agora, está pensando em me mandar "levar um assassino para casa", eu peço que antes de me julgar por eu não compactuar com falsos discursos moralistas e nem incitar a violência, ou não concordar com a barbárie, com a pena capital ou com o extermínio dos violentos com mais violência, que leve pra rua um pouco mais de tolerância e empatia. Se você, cidadão de bem, se imagina acima do mal e que não comete erros ou deslizes, que ao menos se coloque no lugar daqueles que são pais, filhos, mães, irmãos e amigos de pessoas criminosas e que estão "pagando" suas penas nos presídios "resorts" brasileiros. Pense na dor dessas pessoas antes de sair comemorando a morte de seres humanos. A barbárie dos gestos começa no discurso. 

O que acontece por lá tem muito a ver com o que você pensa e diz  por aqui.

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