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quarta-feira, 1 de março de 2017

Só se for por timidez



Sempre gostei de insetinhos, borboletas, soldadinhos, joaninhas e lagartixas (que não são insetinhos, eu sei). Quando os aladinhos passam pelo meu jardim, sinto como se fosse um bom presságio. E, mesmo que não ocorra nada de diferente, pra mim só a presença deles já me parece um bom presságio. Não precisa ser uma loteria ganha na quarta-feira, vai. Hoje tive a sorte de receber dois visitantes em casa: um imbuá na cozinha e agora (esse da foto) um insetinho verde que super contrastou com a caixa onde ficam os livrinhos sobre cinema, que eu ganhei de uma amiga.

Antes, ele tinha passado pelos livros do Borges. Mas, como se pressentisse minha vibe paparazzi, voou ligeiro para mais acima das prateleiras. Eu gostaria que ele encontrasse o caminho dele e voltasse para o jardim. Lugar mais adequado para um insetinho verde morar. Ele pode fazer o puxadinho que quiser no meu jardim. Chamar amigos e tal. Só não vale comer as rosas do deserto.


Assim como também gostaria de encontrar o meu. É que eu ando meio perdida ultimamente. Acho que o mundo tem muitas pontes do bom senso quebradas, as pessoas estão se distanciando umas das outras e às vezes até de si mesmas, navegando seus barquinhos de papel, furados, solitárias. E ao invés de buscar uma margem segura e sensata, se dirigem para o precipício da queda d´água.

A esperança ou o desespero são construídos em pequenos, ínfimos, instantes. Difícil não sorrir ou não se enternecer com sorriso de criança. Assim como difícil não costurar o canto da boca com silêncios profundos quando você solicita alguém e essa pessoa mente pra você. Algumas são até educadas. "Vou ver sim". "Ficarei atento". "Claro! Vai dar tudo certo". E você sente que no próximo instante a ponte entre a fala e o gesto será quebrada. Como se você ficasse de braços abertos para um abraço vazio. Um beijo que estalou seco no ar, sem as almofadas da bochecha para amortecê-lo. 


O mundo já está cheio de exércitos. Tem pessoas armadas de ódio; tem exércitos de pessoas tristes. Exércitos de gente maledicente que não consegue sorrir sem passar promissória. A gente precisa aumentar o exército das pessoas que acreditam na humanidade. Pessoas que entendam que a dor não passa só com aspirina ou com cocaína. Pessoas que gostam de pisar em folhas secas, que leem poe-mas em voz alta, ou algo do tipo. 

Montarmos um exército de gente que ao invés de super-valorizar carrões importados, que se enterneçam com a presença das Xananas nos cantei-ros. Pessoas que no lugar de fazer discursos, façam gentilezas a estranhos na rua. Gente que não desvie o olhar. Mas se o fizer, que seja apenas por timidez.



Um comentário:

José Milanez disse...

Magistral, como sempre!