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domingo, 2 de abril de 2017

Gente, acorda!

ilustração de Maria Eugênia - Caderno de Desenhos


Nesse momento da minha vida, gostaria de botar um lençol na "cara" da relação tempo e espaço e, como se fosse um bebê, acreditar piamente que ali não há nada. Que o tempo e espaço não existem, que evaporaram. E, ao contrário da crença dos bebês que choram quando a mãe ou quem quer que seja brinca de esconde-esconde, e desaparecem por detrás do lençol, eu respiraria aliviada. Eu esperaria realmente que esse tempo sombrio e esse pedaço grandioso de terra chamado Brasil se reinventasse. Saísse desse pesadelo interminável que tanto mais caímos no buraco, maior ele fica.

Tá difícil de não falar de política. E além da dificuldade inerente, é assustador descobrir que dia-a-dia o conde Drácula e seus asseclas do Judiciário e Legislativo escavam o buraco com as próprias mãos. O buraco no qual o povo trabalhador está sendo enterrado vivo.

Aqui acolá eu me deparo com algumas pessoas comparando a vida que os trabalhadores brasileiros levam com as que levam as pessoas dos EUA. Os argumentos são patéticos. A impressão que eu tenho é que alguns passam sete dias em Orlando, se empanturram de comida processada, conhecem alguns pontos turísticos e se tornam especialistas em economia e política social. Entretanto, em seus argumentos inexiste qualquer crítica sobre os pressupostos neoliberais e sua relação nefasta com o setor produtivo. Para o sistema nós somos mero joguete, quando não, escravos.

É como se reduzissem em seus elogios rasgados aos EUA e ao fato de que as pessoas de lá vivem “super bem” - mesmo não desfrutando de férias, 13º salário ou licenças de saúde – que bem estar e felicidade se resumem somente a poder de compra. Quando sabemos que não é bem assim. Mas, ok, não vamos problematizar o sentido de felicidade, vamos falar só de política e de modelo econômico.

Quem é que em sã consciência pode jactar-se de ter dinheiro gerando dinheiro em suas vidas? Contemos nos dedinhos mindinhos de nossas mãos as pessoas que conhecemos e que vivem de aplicações, dividendos e de lucros. Aquelas que fazem parte do mito que “ganham dinheiro enquanto dormem”.

Gente, acorda! Essa galera só existe nas novelas ou esbanjando futilidade em alguma rede social. A imensa maioria de nós está no patamar daqueles que são vilipendiados pelo sistema. Seja a diarista, o vigilante noturno, ou  você que financia seu carro, e que se sacrifica para manter seus filhos em escola particular mas, no entanto, jamais saiu do pedestal para reclamar na porta da secretaria de educação que você paga impostos, mas seu representantes político não faz a parte dele. Esse entorpecimento está precarizando ainda mais sua existência, como também o futuro das próximas gerações.

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