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domingo, 2 de julho de 2017

Mais trabalho, menos mimimi




Quando eu olho para alguém que me diz que é "produtor de conteúdo" para internet eu penso logo em axiomas tipo, o céu é azul; para morrer, basta estar vivo, etc. Afinal, produzimos conteúdos o tempo inteiro não é? Dentro e fora da internet (principalmente). Eu sou jornalista, escritora, estudante de psicanálise, artesã, tenho um blog há dez anos e isso vai muito além de produzir conteúdo para internet, apenas. A internet é massa em muitos aspectos. Tem gente bacana compartilhando conhecimentos, saberes, tentando realmente oferecer algo consistente, disposta a trocas, ao invés de simplesmente usar a plataforma como um pódio de exibicionismo e de futilidades.

Mas faz sucesso nela uma casta de não profissionais. Tipo, a pessoa faz um curso que não gosta, que não tem talento, como arquitetura ou zootecnia e vira blogueiro de moda, por exemplo. Passa o tempo todo comendo batata e ovo, contrata um personal, faz sempre as mesmas poses nas fotos: com um bico; olhando a paisagem com cara de pastel ou então procurando uma moeda no chão e jura de pé junto que aprova aquela roupa. Mas só a está vestindo porque alguém pagou para ela vestir. Às vezes uma foto chega a custar R$ 2 mil reais) e acaba por contribuir para tirar o trabalho de modelos, editores de moda e até mesmo estilistas. É o tipo de trabalho que me dá uma grande vergonha alheia. Porque eu sei que tem gente que rala pra caramba e não chega a ganhar isso em um mês inteiro de trabalho. E vergonha também de quem se deixa influenciar por esses tipos. Quer imitar alguém no vestir? Imita as artistas da novela. Ao menos lá elas estão trabalhando de verdade né?

E sabe por que essas pessoas fazem sucesso? Porque elas vendem ilusões. Elas vendem a ideia de que são felizes, perfeitas, que acordam maquiadas e lindas. E não é bem assim, né? Para ninguém. Muitas vezes, elas só conseguem levantar da cama, se tomarem uma boa dose de uísque.

O que quero dizer é que eu acho uma pena, uma grande pena ver gente tão equivocadamente fissurada em "produzir conteúdo", sonhando em fazer parte de "startups", achando que um dia será o novo Mark Elliot Zuckerberg, o criador do facebook. Raros são aqueles que chegam onde ele chegou. Muitas vezes, passando como um trator por cima de outras ideias. E, como são raros, vivemos num limbo entre pessoas que têm ideias, sonham em ficar ricas em um mês, não vão e, portanto, ficam muito frustradas, se sentindo fracassadas.

E eu pergunto: e a construção de uma carreira? Leva quanto tempo? As startups criaram uma falsa expectativa nas pessoas. Especialmente nos jovens que têm lido cada vez menos, que absorvem um milhão de informações, mas não conseguem filtrar 5% do que leram ou assistiram. Menos ilusão e preguiça. Mais conteúdo e produção, por favor

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